Ações da Argentina estão baratas, mas é hora de comprar? Veja o que levar em conta
O mercado acionário argentino vive um momento de contrastes, segundo analistas. As ações negociam com desconto relevante, a inflação desacelera, o governo mantém disciplina fiscal e os investimentos em energia e mineração avançam. Ao mesmo tempo, o crédito segue fraco, a atividade doméstica ainda não mostra recuperação consistente e as eleições presidenciais de 2027 começam a ganhar peso entre os investidores.
Os relatórios recentes do Itaú BBA e do Bradesco BBI divergem parcialmente sobre o momento de investimento, embora concordem que os ativos argentinos continuam baratos. O Itaú BBA afirma que as ações seguem com desconto relevante em relação ao valor justo estimado pelo banco. Já o Bradesco BBI observa que o MSCI Argentina negocia a 7,8 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,4 vezes. O setor financeiro negocia perto de 5,9 vezes lucro e cerca de 1 vez valor patrimonial, níveis considerados atrativos na comparação histórica.
Apesar disso, o BBI avalia que faltam catalisadores capazes de sustentar uma reprecificação mais ampla dos ativos e mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para a Argentina. Para o Itaú BBA, a política segue como principal fator de volatilidade no curto prazo, com indicadores como confiança no governo e spreads dos títulos soberanos funcionando como termômetros das expectativas para 2027. O BBI considera a reeleição de Javier Milei como cenário-base, mas avalia que o atraso na recuperação da atividade doméstica aumenta gradualmente a relevância de candidatos da oposição, especialmente Axel Kicillof.
Na frente macroeconômica, os dois relatórios são relativamente construtivos. O Itaú BBA projeta para 2027 o quarto ano consecutivo de equilíbrio fiscal, com inflação em cerca de 25%, após estimados 30% em 2026 e muito abaixo dos 211% de 2023. O BBI concorda, mas ressalta que os benefícios da estabilização ainda não se traduziram em recuperação ampla da demanda doméstica, do crédito e da confiança do consumidor. O crescimento real dos empréstimos desacelerou para 1,6% no terceiro trimestre, abaixo dos 4,7% do segundo, com inadimplência elevada e depósitos pressionados. Na avaliação da instituição, uma recuperação mais significativa dos fundamentos bancários deve ocorrer apenas em 2027.
Os bancos convergem ao ver oportunidades em setores ligados aos recursos naturais. O BBA aponta vantagens estruturais em agricultura, petróleo e gás, cobre e lítio, com projetos do regime de incentivos ao investimento (RIGI) já confirmados somando cerca de US$ 50 bilhões e propostas em análise ultrapassando US$ 150 bilhões. O BBI prefere empresas de energia e ativos reais, com destaque para Banco Macro (BMA) e Vista Energy (VIST), que combinariam valuations atrativos, qualidade de balanço e exposição à normalização gradual da economia. O Itaú BBA defende que investidores de longo prazo olhem além do ciclo eleitoral e foquem nas transformações estruturais em curso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação