Além do minério de ferro: o que falta para a Vale (VALE3) dobrar a produção de cobre?
A tese de investimento da Vale (VALE3) deixou de se apoiar apenas na força do minério de ferro. Apesar de a maior parte da receita da companhia ainda vir da commodity e de parte do mercado enxergar a operação como “puro minério de ferro”, o cobre ganha papel central por meio do crescimento da subsidiária Vale Base Metals (VBM). As avaliações foram revisadas por analistas a partir de declarações do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, no FT Metals & Mining Summit, em Londres, e do VBM Day, realizado em Toronto.
Para o Research da XP, a imersão na estratégia da VBM evidenciou confiança na expectativa de produção de 700 mil toneladas de cobre ao ano até 2035, meta mencionada tanto por Pimenta quanto pelo CEO da VBM, Shaun Usmar. Segundo os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, as reservas e os recursos existentes sustentam a meta com tranquilidade. O debate, avaliam, já não gira em torno da disponibilidade de recurso, mas da entrega de projetos.
Os analistas apontam que, embora os estudos indiquem declínio dos volumes após um pico próximo de 700 mil toneladas anuais com base nos recursos hoje conhecidos, as campanhas contínuas de exploração e perfuração devem ampliar a vida útil das minas da VBM, sustentando esse patamar por mais tempo. O portfólio reúne minas em operação, expansões brownfield e projetos em desenvolvimento conjunto. Os principais gargalos para atingir a meta, porém, são o licenciamento e o desenvolvimento de projetos: a maioria ainda precisa avançar por estudos ambientais, trabalhos de viabilidade, obtenção de concessões minerárias e construção. A XP recomenda o papel como “neutro”, com preço-alvo de R$ 83 e potencial de valorização de 25%.
A XP também destaca o ouro como fonte de valor oculto no portfólio de cobre da Vale. Como subproduto da produção de cobre, o metal contribui para a receita, reduz custos líquidos de caixa e torna projetos mais atrativos economicamente, com destaque para as operações em Alemão e Salobo, ambas no Pará. O Alemão é descrito pela própria VBM como um projeto subterrâneo de cobre-ouro de alto teor na região de Carajás. Já o Salobo é o maior empreendimento extrator de cobre no Brasil, com reservas estimadas em 1,15 bilhão de toneladas métricas de minério de cobre. Segundo a XP, apenas o projeto do Alemão pode adicionar cerca de 140 mil onças por ano até 2035, o que poderia representar de 5% a 10% das receitas esperadas da VBM.
O otimismo com o cobre não afastou a visão construtiva do CEO da Vale sobre o minério de ferro. Citado em relatório do BTG Pactual, Pimenta sustentou que o mercado global deve se manter “relativamente equilibrado”, mesmo com a nova oferta do projeto Simandou, na Guiné. O BTG recomenda o papel com Compra e preço-alvo de R$ 90, potencial de valorização de 35,62%, e avalia que a Vale negocia a múltiplos inferiores aos de seus pares por ainda ser lida como empresa pura de minério de ferro.
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