Ao descartar a Ucrânia, Trump também “faz o diabo” por uma eleição
Acordo para compra de diesel russo gera críticas e tensão com Kiev
O anúncio feito por Donald Trump em 9 de outubro, de um acordo para a compra de óleo diesel russo, provocou reação negativa de aliados e abriu uma crise na relação com a Ucrânia. Segundo o texto, a medida, na prática, esvazia as sanções aplicadas pelo mundo ocidental desde o início da agressão russa contra território ucraniano, iniciada quase cinco anos atrás. A União Europeia classificou o acordo como um “presente” ao ditador Vladimir Putin, e até políticos republicanos se manifestaram contra a decisão.
De acordo com a publicação, o acordo ajuda a financiar a máquina de guerra de Putin, que vinha dando sinais de desgaste e seria revitalizada com dinheiro norte-americano. Trump justificou a medida afirmando que preços mais baixos para os americanos, especialmente agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, são sua maior prioridade. O texto, porém, sustenta que a prioridade real do presidente é a vitória de seu partido nas eleições legislativas de novembro, as midterms, nas quais os republicanos podem perder a maioria em ao menos uma das casas.
A tensão aumentou depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse se sentir traído por Trump. O norte-americano reagiu acusando a Ucrânia de forçar aumento nos preços internacionais do diesel com ataques a refinarias russas — quando, conforme o texto, a Ucrânia vinha respeitando uma trégua em ataques a infraestrutura energética anunciada por Trump. Ele também afirmou que Zelensky “destruiu a Ucrânia” e voltou a acusá-lo de estar no poder de forma ilegítima, argumentando que as eleições presidenciais ucranianas deveriam ter ocorrido em 2024. O país está sob lei marcial, que suspende os pleitos, e parte do território está ocupada por uma força invasora.
O texto menciona ainda que a Ucrânia acusou uma restrição no uso do pacote StarShield, versão militar do Starlink, que teria ocorrido por ordem do governo norte-americano; o serviço foi totalmente restabelecido após a reclamação se tornar pública. Para a publicação, a situação evidencia que Trump está ativamente ajudando a Rússia, financiando Putin com a compra de combustíveis e prejudicando o esforço ucraniano contra o verdadeiro destruidor do país.
O editorial compara a postura do presidente americano à de seu antecessor, Ronald Reagan, que, segundo o texto, defendia o apoio aos aliados democráticos e às populações que arriscam suas vidas para desafiar agressões. A publicação conclui que, ao trair a fé dos ucranianos, Trump demonstra estar muito abaixo do antecessor, para quem ajudar povos livres contra agressores autoritários era um imperativo moral para os Estados Unidos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação