Balneário Camboriú derruba casos de dengue com uso de mosquitos aliados
Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, registrou uma queda de 99,8% nos casos de dengue ao comparar os números de 2024 com os de 2026. Foram mais de 7 mil registros há dois anos e apenas 12 casos até setembro deste ano. O município também não registra mortes pela doença desde 2025.
Segundo a prefeitura, o resultado se deve à combinação de três frentes: a tecnologia Wolbachia, a intensificação da fiscalização de terrenos e a vacinação do público infantil. O método consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, natural e inofensiva aos humanos, mas capaz de impedir que o inseto transmita os vírus da dengue, zika e chikungunya. Ao se reproduzirem com os mosquitos locais, os insetos liberados transmitem a bactéria aos filhotes, formando uma barreira natural contra as doenças sem modificação genética e com efeito mantido por várias gerações.
Como foi a implementação
As liberações dos mosquitos, apelidados de "Wolbitos", começaram em agosto de 2025 e duraram seis meses, com foco em quatro bairros. Foram 52 ações de soltura, em duas etapas por semana ao longo de 26 semanas. Os mosquitos são produzidos em uma biofábrica em Joinville, em parceria com a Fiocruz e o Ministério da Saúde. O balanço científico final sobre o impacto total do método deve ser concluído entre dois e três anos após o encerramento das liberações.
Combate tradicional e vacinação
Mesmo com a tecnologia, o trabalho de campo continua intenso. Agentes de combate a endemias fazem vistorias diárias para eliminar criadouros e orientar moradores, e as secretarias de Saúde e Obras atuam em conjunto na fiscalização de terrenos de risco, com aplicação de multas ou limpezas forçadas. Em áreas com casos confirmados, o veículo do "fumacê" ainda é usado para aplicar inseticida. Em uma operação recente no bairro Praia dos Amores, 12 caminhões de entulho foram retirados de um único imóvel insalubre que abrigava focos do mosquito.
A vacinação é apontada como pilar da prevenção de longo prazo. Mais de 3 mil crianças e adolescentes de 10 a 16 anos, público-alvo da campanha, já receberam a primeira dose da vacina Qdenga. Desse grupo, cerca de 1.357 jovens completaram o esquema com a segunda dose, aplicada três meses após a primeira. O objetivo é proteger a população mais jovem, reduzir as chances de agravamento da doença e manter o número de óbitos zerado, como ocorre no município desde 2025.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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