Bancos centrais acumulam ouro em ritmo quatro vezes maior e retiram reservas dos EUA
Os bancos centrais ampliaram de forma acentuada a compra de ouro em meio ao aumento da incerteza geopolítica, movimento que vem acompanhado de uma mudança na forma como essas instituições administram onde guardam o metal. Segundo estimativas do Goldman Sachs, as compras chegaram a 79 toneladas em agosto, mais de quatro vezes a média mensal registrada antes de 2022, ano em que começou a guerra na Ucrânia. Considerando os últimos três meses e ajustando os dados por fatores sazonais, o ritmo gira em torno de 85 toneladas por mês.
A China responde por uma fatia relevante dessa demanda. O banco calcula que o país tenha adquirido cerca de 25 toneladas em agosto. Ainda assim, os chineses são apenas o maior comprador identificado publicamente, o que significa que outras nações podem estar acumulando volumes ainda maiores sem divulgar suas operações. Na avaliação do Goldman, seguem presentes as razões que levam diversos países a reduzir a dependência das moedas de reserva do G7, especialmente do dólar. A China, por exemplo, ainda tem participação de ouro em suas reservas considerada baixa para padrões de longo prazo.
Os bancos centrais de economias desenvolvidas participam menos dessa corrida porque já acumulam grandes estoques do metal. Nesses países, a discussão deixou de ser quanto ouro comprar e passou a ser onde armazená-lo. Em setembro, o banco central da Holanda revelou ter transferido, ao longo de seis meses, 86 toneladas que estavam em Nova York e Ottawa para Londres, com a justificativa de preparar melhor o país para eventuais crises. Segundo a instituição, a instabilidade geopolítica tornou mais importante manter parte das reservas em locais que permitam acesso rápido e negociação mais eficiente em momentos de estresse financeiro.
A França também ajustou posições. Em março, o Banco da França informou ter reduzido parte de suas reservas mantidas em Nova York e reforçado seus estoques na Europa, atribuindo a decisão a critérios técnicos ligados à qualidade e à pureza do metal. Os números, porém, apontam uma tendência mais ampla: segundo o Goldman Sachs, as reservas depositadas no Federal Reserve de Nova York caíram 40 toneladas em agosto, enquanto os estoques mantidos no Banco da Inglaterra aumentaram 46 toneladas.
Ao mesmo tempo, cresce o número de bancos centrais que não querem revelar onde guardam suas reservas. Em pesquisa realizada neste ano, 12% se recusaram a informar a localização do ouro, contra 10% no ano anterior. O levantamento mostrou ainda que mais instituições passaram a distribuir as reservas por diferentes países e a ampliar a parcela mantida dentro de suas próprias fronteiras. Quase um em cada cinco bancos centrais consultados preferiu não informar onde pretende armazenar o ouro nos próximos 12 meses, enquanto outros indicaram que continuarão diversificando a localização das reservas.
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