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BBC entra em área do Líbano onde Israel avança com tropas e demolições apesar de cessar-fogo

Atualizado em 04/09/2026 às 12:25 schedule 3 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma equipe da BBC acompanhou no mês passado uma missão humanitária da Unifil, a força de paz da ONU, no sul do Líbano, em uma das poucas formas de acesso à área ocupada por Israel. A região, principal reduto da comunidade xiita libanesa e base de apoio do Hezbollah, está deserta e devastada, com plantações abandonadas e um número incontável de prédios destruídos por ataques aéreos israelenses.

A faixa de terra controlada por Israel corresponde a cerca de 5% do território libanês e, em alguns pontos, avança 10 km para dentro do país. Durante o percurso, a equipe viu estradas de serviço construídas após a invasão, intensa movimentação de soldados e prédios residenciais ocupados por militares israelenses, alguns cobertos por redes de proteção contra drones explosivos do Hezbollah. Também foram ouvidos drones de vigilância e explosões à distância, possivelmente de demolições em vilarejos ocupados.

Segundo a Unifil, Israel instalou quatro novas bases nas áreas invadidas, elevando o total para nove. "Nos últimos meses, vimos Israel consolidar e reforçar suas posições, construir estruturas de proteção e realizar outras obras de engenharia", disse Kandice Ardiel, porta-voz da força de paz. "Também observamos pessoas que parecem ser civis israelenses realizando demolições e obras de engenharia em apoio às operações militares." Organizações de direitos humanos afirmam que algumas ações representam destruição deliberada de infraestrutura civil, o que pode configurar crime de guerra.

O cessar-fogo foi anunciado em junho, após acordo preliminar entre EUA e Irã que previa também o fim da violência no Líbano. Desde então, segundo um integrante da inteligência libanesa ouvido pela BBC, o Exército do Líbano registrou mais de 5 mil violações do acordo por Israel, entre ataques aéreos, bombardeios e incursões quase diárias além da área ocupada. O Hezbollah não atacou Israel desde o cessar-fogo, mas realizou ataques contra tropas israelenses em território libanês. Centenas de milhares de libaneses continuam fora de casa, sem saber quando poderão voltar.

Autoridades israelenses afirmam que só retirarão suas forças se o Hezbollah for desarmado, algo que o governo libanês não tem condições de fazer sem o consentimento do grupo. Um plano mediado pelos EUA previa a retirada de Israel de "zonas-piloto", que passariam a ser ocupadas por soldados libaneses, com verificação do desarmamento do Hezbollah nesses locais. O grupo se opõe à iniciativa, e o plano não avançou. Questionado pela BBC, o Exército israelense afirmou que os prédios destruídos eram usados pelo Hezbollah para fins militares e que suas operações respeitam o direito internacional, sem responder às demais perguntas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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