Bispo Robert Barron reforça dever de evangelizar e explica atuação no governo
O bispo Robert Barron, da Diocese de Winona-Rochester, concedeu entrevista à rede EWTN em 18 de setembro de 2026 na qual defendeu que o diálogo inter-religioso não elimina a missão da Igreja de pregar o Evangelho e esclareceu sua nomeação para uma comissão de liberdade religiosa nos Estados Unidos. Na conversa, ele rejeitou rótulos políticos e reafirmou sua independência em relação a governos.
Sobre a diferença entre evangelizar e fazer proselitismo, Barron afirmou que a Igreja deveria abandonar o termo "proselitismo" por causa de suas interpretações variadas e negativas. Ele relatou uma conversa com o Papa Francisco na qual o pontífice definiu o conceito como uma "evangelização desagradável", marcada por postura invasiva ou intimidadora. Para o bispo, anunciar Jesus deve ser um ato amigável e não ameaçador. Ele ressaltou que, embora tolerância e respeito sejam fundamentais no diálogo com outras crenças, a proclamação da verdade cristã é inegociável e deve ser feita com amor, sem transformar a fé em um debate vazio.
O bispo também demonstrou preocupação com o cenário internacional, citando especialmente o caso do ativista Jimmy Lai, preso em Hong Kong. Prometeu levar o caso à comissão de liberdade religiosa e classificou o tratamento dado ao magnata como ultrajante. Sobre a diplomacia do Vaticano com Pequim, evitou criticar diretamente os acordos atuais, mas declarou-se seguidor do modelo de João Paulo II. Para ele, a forma como o antigo papa lidou com regimes comunistas, mantendo firmeza espiritual e moral contra a opressão, continua sendo a referência correta para enfrentar governos autoritários.
Em uma reflexão teológica, Barron afirmou que a empatia, embora positiva, não deve ocupar o topo da hierarquia de valores cristãos. Argumentou que o amor, definido por São Tomás de Aquino como "querer o bem do outro", é a virtude superior. Segundo o bispo, a empatia se limita a sentir o que o outro sente, o que pode impedir alguém de dizer a verdade por medo de ferir sentimentos. O amor verdadeiro, por outro lado, exige coragem para buscar o que é correto e bom para a outra pessoa, mesmo que isso cause desconforto momentâneo, já que "Deus é amor" e não apenas empatia.
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Por Redação