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Bolsa decolou, mas está mais barata? Por que gestores ainda veem fôlego na euforia

Atualizado em 07/10/2026 às 07:05 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Ibovespa superou os 209 mil pontos na segunda-feira (5), na maior valorização diária desde 24 de março de 2020, em um salto de quase 8% após o primeiro turno das eleições. Mesmo com a correção da terça-feira, o índice segue acima da marca dos 200 mil pontos. Para parte dos gestores de ações, porém, a alta não tornou a Bolsa necessariamente mais cara — e pode ter terminado o pregão mais barata do que começou.

É a tese defendida por João Luiz Braga, sócio-fundador da Encore Asset Management. Segundo ele, a queda forte dos juros futuros melhora as projeções de receita das empresas, reduz a despesa financeira e diminui a taxa de desconto usada para calcular o valor das ações. "Se brincar, no final do dia ela estava mais barata do que um dia antes", afirma. Em um cenário de vitória de Flávio, com menor preocupação fiscal, Braga considera não só possível como provável que os juros caiam dos atuais 13,75% para perto de 10%. "Não acho que teve nenhum exagero [na segunda-feira], muito pelo contrário."

Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital, vê espaço para novas altas no posicionamento dos investidores que ficaram de fora. Com a renda fixa pagando acima de 13% ao ano e os títulos públicos atrelados à inflação garantindo as metas atuariais dos fundos de pensão sem risco de Bolsa, o país vivia "a menor alocação em Bolsa da história". Na conta de Campos, mesmo depois do salto o Ibovespa segue abaixo da média histórica de preço sobre lucro, e os resultados das empresas tendem a melhorar com crédito mais barato. Ele pondera, no entanto, que o caminho não será linear.

Luciano França, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde, avalia que, com uma trajetória de dívida mais coerente, juros mais estáveis e maior previsibilidade, o Ibovespa pode se consolidar na casa dos 250 mil pontos até o fim de 2027. Sem ajustes fiscais, porém, o risco é de um "voo de galinha". Para ele, o que se viu na segunda-feira foi uma reprecificação de múltiplos provocada pela queda dos juros longos, e não uma revisão de lucros, que deve levar de 12 a 24 meses para aparecer nos balanços.

Frederico Sampaio, CIO da Franklin Templeton Brasil, diz que a alta surpreendeu pela força e pela velocidade, já que o mercado havia subido na semana anterior antecipando um resultado favorável à oposição. O principal fundo de ações da casa subiu 10,7% no dia. Segundo ele, agora é preciso separar o curto do longo prazo: "No curto prazo o mercado já subiu bastante, não vejo muito espaço para subir muito mais, e tem muita coisa para acontecer, o Flávio ainda não ganhou a eleição". No longo prazo, se um eventual governo Flávio fizer as reformas esperadas, Sampaio avalia que o Ibovespa, que hoje negocia a 9,5 vezes o lucro, pode voltar ao múltiplo de cinco anos atrás, de 11,5 vezes, o que levaria o índice aos 250 mil pontos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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