Bolsa Família ajuda Lula a virar pauta após crise do STF, enquanto casos são adiados
O adiamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), das discussões envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master reduziu a pressão institucional sobre a campanha eleitoral nas semanas finais antes do primeiro turno. Depois da suspensão da análise sobre Moraes, o presidente da Corte, Edson Fachin, também retirou da pauta a sessão que trataria da conduta de Mendonça na condução das investigações. Sem nova data definida, os casos podem avançar apenas depois da eleição.
O prazo do pedido de vista de Flávio Dino vai até dezembro, o que aumenta a possibilidade de o tema ficar para 2027. As investigações continuam, mas o STF tende a deixar de produzir novos embates públicos sobre o caso durante a campanha.
O movimento interessa especialmente a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que 49,5% dos entrevistados consideravam Lula o candidato mais prejudicado eleitoralmente pela crise no Supremo. Flávio Bolsonaro (PL) foi citado por 20,9%.
A retirada do tema da pauta coincide com uma tentativa do governo de deslocar a campanha para assuntos de maior interesse direto do eleitor. Na quinta-feira (17), Lula anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. A medida foi divulgada 17 dias antes do primeiro turno.
O anúncio provocou questionamentos sobre impacto fiscal e eventual uso eleitoral, mas também mudou o foco do debate político. Aliados do presidente passaram a explorar novamente renda e programas sociais, enquanto a crise no STF perdeu espaço. A mudança não encerra o caso Master nem impede Flávio de continuar usando o tema na campanha. O adiamento, porém, reduz a chance de novas sessões tensas no Supremo dominarem o noticiário antes da votação. Para Lula, isso significa sair, ao menos temporariamente, de um assunto que a AtlasIntel apontou como mais desfavorável à sua campanha e tentar recolocar no centro da disputa temas ligados à renda e à atuação do governo.
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Por Redação