Brasil elege maior bancada feminina da história, mas mulheres ainda ocuparão só 1 em cada 5 cadeiras
As eleições de 2026 produziram o maior contingente feminino já registrado no Congresso Nacional. A partir de fevereiro de 2027, a Câmara dos Deputados terá 109 mulheres entre seus 513 integrantes, enquanto o Senado contará com 18 senadoras entre 81 cadeiras. Nunca houve tantas mulheres simultaneamente nas duas Casas.
O avanço, no entanto, convive com desigualdade ainda expressiva. As mulheres ocuparão 21,2% das cadeiras da Câmara e 22,2% das vagas do Senado — pouco mais de um quinto do total. Na prática, cerca de quatro em cada cinco cadeiras da Câmara e mais de três quartos do Senado continuarão ocupados por homens, embora as mulheres representem aproximadamente 53% do eleitorado brasileiro.
Na Câmara, o número subiu de 90 deputadas eleitas em 2022 para 109 em 2026, crescimento de cerca de 21% em quatro anos. O resultado chama atenção porque ocorreu apesar da queda no total de candidatas: foram 2.820 neste ano, contra 3.317 na eleição anterior, redução de aproximadamente 15%. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, elegeu 34 das 109 mulheres, o maior contingente feminino entre as forças políticas da Casa — quase 39% dos 88 deputados eleitos pela federação.
No Senado, das 54 cadeiras em disputa, 12 foram conquistadas por mulheres, o maior número em uma única eleição desde a redemocratização. Em 2018, quando também estavam em jogo dois terços da Casa, oito mulheres foram eleitas. O Distrito Federal terá, pela primeira vez, uma bancada estadual inteiramente feminina no Senado, com Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos). O Piauí segue como a única unidade da Federação que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
O recorde numérico não significa automaticamente mais apoio a políticas de igualdade de gênero. A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli ressalta que, à medida que cresce a presença feminina na política, aumenta também a diversidade ideológica entre as eleitas, que podem defender tanto posições progressistas quanto conservadoras. Na Câmara, ao menos 15 mulheres negras foram eleitas, contra nove em 2022, segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem. No Senado, nenhuma das 12 eleitas é negra, e Eliziane Gama não conseguiu a reeleição.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação