Brasil registra maior abstenção eleitoral em 28 anos, com 33,4 milhões fora das urnas
O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 registrou a maior taxa de abstenção em uma eleição geral desde 1998. Com 100% das seções totalizadas, 33.469.244 eleitores deixaram de votar no domingo (4), o equivalente a 21,08% dos 158.745.502 brasileiros aptos. O percentual só é superado, nas últimas três décadas, pelos 21,49% registrados em 1998.
A dimensão do fenômeno aparece na comparação com o resultado da disputa. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 56.104.503 votos, ou 47,03% dos votos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 53.879.538 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual — a menor distância entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. O número de ausentes foi cerca de 15 vezes maior que essa vantagem.
O contingente que não escolheu nenhum candidato é ainda maior quando se somam brancos e nulos. Foram 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 nulos, quase 6 milhões de eleitores que compareceram às urnas, mas não deram voto válido a nenhum candidato à Presidência. Somados aos ausentes, quase 40 milhões de brasileiros aptos não escolheram nenhum dos concorrentes. Brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos e não são transferidos para nenhum candidato.
A abstenção não se distribui de forma uniforme. Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, a ausência em 2026 chegou a aproximadamente 50% entre eleitores com mais de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo. Entre os jovens de 16 e 17 anos, também com voto facultativo, ficou em torno de 20%. Nunes Marques afirmou que o TSE pretende intensificar ações para aumentar o comparecimento no segundo turno, marcado para 25 de outubro. "Não é o ideal uma abstenção de 20%", declarou.
Para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente. Quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, embora precise justificar a ausência ou regularizar posteriormente a situação eleitoral. Com 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula, os outros candidatos reuniram 7,81% dos votos válidos, cerca de 9,3 milhões de eleitores. A esses somam-se os quase 6 milhões de brancos e nulos e os 33,4 milhões de ausentes, contingente que as duas campanhas passaram a disputar após o resultado de domingo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação