Chefe da inteligência da Alemanha alerta para risco de conflito violento com a Rússia
O presidente do Serviço Federal de Informação da Alemanha (BND), Martin Jäger, alertou que o país corre o risco de ser arrastado para um conflito violento com a Rússia diante do aumento de operações atribuídas a Moscou em território europeu. A avaliação foi feita durante audiência pública no Parlamento alemão nesta segunda-feira (5).
Segundo Jäger, a situação de segurança que o serviço alemão previa há cerca de um ano se deteriorou, e a pressão russa sobre a Europa aumentou. "A Rússia é o nosso adversário mais perigoso", afirmou o chefe do BND, acrescentando que nenhum outro país representa atualmente uma ameaça tão direta e abrangente para a Alemanha.
Na avaliação do chefe da inteligência, Moscou passou a tratar Berlim como um dos seus principais adversários por causa da oposição alemã à invasão da Ucrânia e do apoio dado aos integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste da Europa. Jäger disse ainda que a Rússia estaria testando até onde pode avançar contra a Alemanha e observando a reação das autoridades a cada episódio, e que sinais de hesitação poderiam estimular o Kremlin a aumentar a pressão.
Os responsáveis pelos três principais serviços de inteligência alemães afirmaram na audiência que a Rússia representa hoje o maior desafio de segurança para o país. Sinan Selen, que comanda o serviço de inteligência doméstica, disse que ameaças antes projetadas para o fim desta década já fazem parte do trabalho cotidiano das autoridades e citou uma ampliação das operações híbridas russas contra países europeus, incluindo espionagem, riscos de sabotagem e até operações destinadas a matar pessoas. Os setores de transporte, defesa e infraestrutura militar estão entre os possíveis alvos apontados. A chefe da inteligência militar, Martina Rosenberg, afirmou que o cenário deixou de envolver apenas uma ameaça abstrata e que as autoridades passaram a lidar com ataques russos concretos.
Um dos episódios usados para sustentar o novo nível de preocupação ocorreu em agosto, no Aeroporto de Leipzig, importante centro de transporte de cargas e logística utilizado também em operações relacionadas à Otan. Na noite de 4 de agosto, uma aeronave não tripulada equipada com explosivos foi encontrada em área restrita próxima a uma das pistas. O governo alemão concluiu posteriormente que a Rússia era responsável pela tentativa de ataque e classificou o caso como uma ação híbrida contra o país. O episódio levou o Conselho de Segurança Nacional da Alemanha a se reunir e acelerou discussões sobre proteção contra drones e ataques a infraestruturas críticas.
O chanceler Friedrich Merz voltou ao assunto nesta semana e afirmou que Moscou estaria testando a capacidade de resposta da Alemanha por meio de ataques híbridos, propaganda e outras formas de pressão, e que Berlim continuará apoiando a Ucrânia e reforçando sua própria capacidade de defesa. Moscou nega as acusações de envolvimento em operações de sabotagem e ataques híbridos feitas por governos europeus. O ditador russo, Vladimir Putin, também rejeita as afirmações de que a Rússia tenha intenção de atacar países da Otan.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação