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Como Jair Bolsonaro quase conseguiu em 2022 a virada que Lula almeja no 2º turno

Atualizado em 10/10/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu um crescimento eleitoral entre o primeiro e o segundo turno que, segundo o cientista político Rodrigo Mahlmeister, pesquisador da Duke University, foi um verdadeiro "milagre" eleitoral. Depois de perder o primeiro turno por 6,1 milhões de votos, o então candidato à reeleição somou cerca de 7,1 milhões de novos eleitores, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acrescentou 3 milhões. Em termos percentuais, Bolsonaro elevou sua votação em quase 14%, contra pouco mais de 5% de Lula. É esse movimento que a campanha do petista agora busca repetir.

Naquele pleito, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos, contra 43,20% de Bolsonaro. Na avaliação de Mahlmeister, o petista entrou no segundo turno ao lado da linha de chegada: "Bastava um passo adiante e ele vencia". Bolsonaro precisava acelerar e, ao mesmo tempo, impedir que o adversário avançasse. "Como vimos, ele quase conseguiu. A virada não aconteceu por muito pouco", afirma o pesquisador, lembrando que a diferença final, de 2,1 milhões de votos, foi a mais apertada entre todas as eleições presidenciais desde a redemocratização.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a tarefa será mais difícil para Lula agora. O senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu o primeiro turno com 47,03%, pouco mais de 56,1 milhões de votos, enquanto Lula teve 45,1%, ou 53,8 milhões de eleitores. Um dos fatores é que o candidato do PL deve receber quase a totalidade dos votos dos demais candidatos derrotados, que estão mais à direita do que os concorrentes do pleito passado. Em 2022, os derrotados — embora com críticas ao PT — entregaram mais votos a Lula do que a Bolsonaro no segundo turno.

Outro ponto é o impacto eleitoral dos benefícios sociais. Diversos estudos indicam que as medidas adotadas por Jair Bolsonaro às vésperas de 2022 tiveram efeito mais significativo do que as do governo Lula agora, como reajustes no Bolsa Família. Em julho daquele ano, o governo reajustou em 50% o piso do Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600, o que dobrou o orçamento do auxílio: de R$ 38,3 bilhões previstos em 2021 para R$ 89 bilhões em 2022. Bolsonaro ainda prometeu elevar o valor para R$ 800 caso fosse reeleito.

Especialistas também apontam que parte da base eleitoral de Lula no Nordeste migrou para a candidatura de Flávio Bolsonaro, tornando a região uma espécie de "nova Minas Gerais" nas estratégias eleitorais. Além disso, avaliam que, se a campanha do petista pretende convocar eleitores que não foram às urnas no primeiro turno, dificilmente terá sucesso, já que se trata de pessoas de baixa renda para quem participar da eleição é mais custoso do que ficar em casa. Para o cientista político Jairo Pimentel, da FESP-SP, Flávio tem 80% de chance de ser eleito no segundo turno. "Em tese, ele teria que repetir o 'milagre' de Bolsonaro", resume Mahlmeister.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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