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Como 'power couples' da política alçaram primeiras-damas novatas ao Senado

Por Redação
Atualizado em 18/10/2026 às 19:50 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Das 12 senadoras eleitas neste ano em todo o país, sete têm vínculos familiares com políticos que ocupam ou ocuparam cargos no Executivo de primeiro escalão — como prefeito, governador ou presidente. O dado faz parte de levantamento exclusivo para a BBC News Brasil feito pelo Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM). Quatro delas são ex-primeiras-damas e nunca ocuparam um cargo eletivo.

O caso mais direto é o de Alagoas. Marina JHC (PSDB) chega ao Senado no lugar de Renan Calheiros (MDB), que representava o estado desde 1995. Marina é casada com João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, eleito governador no primeiro turno com 52% dos votos válidos. Ela é nora de João Caldas, que foi deputado estadual e federal, e sua primeira suplente é a sogra, Dra. Eudócia. Nas urnas, o nome do marido apareceu ao lado do dela.

No Amapá, Rayssa Furlan (Podemos) assume a vaga de Randolfe Rodrigues (PT), senador desde 2011. Dermatologista de 39 anos, ela é casada com o também médico Dr. Furlan (PSD), eleito governador no primeiro turno. A primeira mulher eleita senadora pelo estado foi secretária municipal de Mobilização e Participação Popular na prefeitura do marido, em Macapá, e tem como primeiro suplente o cunhado, Neto Furlan.

Completam a lista de ex-primeiras-damas estreantes Michelle Bolsonaro (PL-DF), casada com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e Gracinha Caiado (União Brasil-GO), esposa do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), derrotado no primeiro turno na disputa à presidência. Gracinha, de 67 anos, presidiu a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), que tem contratos com a gestão estadual, e participou da criação do programa Goiás Social. Em resposta à BBC News Brasil, ela afirmou que "conexões familiares, por si só, podem ser boas ou ruins" e que, no seu caso, a relação "sempre foi muito positiva e de resultados para o povo goiano". Disse ainda ter "trajetória própria" e que pretende ser avaliada por suas ações.

Segundo o levantamento, em 2018, quando também estavam em disputa dois cargos de senador por estado, apenas duas das sete eleitas (28,6%) tinham vínculos familiares com políticos. Neste ano, o percentual subiu para 58,3%. Para a cientista política Mayra Goulart, coordenadora do LAPPCOM e professora da UFRJ, a eleição majoritária para o Senado favorece esse tipo de candidatura, porque exige penetração em diferentes territórios do estado. "Quando você se associa a um nome forte naquele estado, tem maior facilidade de fazer seu nome chegar a diferentes redutos e municípios", afirma. Ela avalia que as esposas serem justamente as estreantes relativiza a ideia de renovação, já que trazem consigo capital familiar.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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