Data centers: o inimigo comum que une direita e esquerda nos EUA
Nos Estados Unidos, a polarização política tem se aprofundado nas últimas décadas, mas há um tema capaz de unir esquerda e direita: a rejeição aos data centers. Segundo pesquisadores da Universidade de Cambridge, entre 1988 e 2024 a polarização aumentou de forma clara, com um período de crescimento contínuo entre 2008 e 2020. Os grupos de esquerda e de direita se distanciaram ainda mais, embora ambos permaneçam internamente coesos e tenham tamanhos semelhantes. Esse cenário deixou os americanos praticamente sem pontos de convergência — e os centros de dados são a exceção.
Uma pesquisa da Gallup revelou que sete em cada dez americanos se opõem à construção de data centers voltados para a inteligência artificial em suas regiões. O desprezo e a desconfiança em relação a essas instalações são tão amplos que Bernie Sanders e Steve Bannon se uniram recentemente para desacelerar o desenvolvimento da IA e defender a adoção de regulamentações de segurança.
Entre os principais fatores que levam à oposição estão preocupações ambientais, queda na qualidade de vida local, aumento nas contas de energia e custos de construção. A parcela relativamente pequena que apoia essas obras as enxerga como oportunidade de expansão econômica. O pessimismo, porém, não é dirigido aos data centers em si — instalações que abrigam servidores e sistemas de armazenamento existem há décadas, como o centro desenvolvido pela IBM na década de 1960 para o programa Apollo. O que alimenta o medo é a dimensão extraordinária, a escala e a velocidade de expansão dessas estruturas.
A inteligência artificial exige um volume muito maior de recursos computacionais do que as formas tradicionais de computação. Data centers de hiperescala podem abrigar mais de 5 mil servidores e ocupar milhões de pés quadrados. O maior do mundo, na região da Mongólia Interior, na China, tem 994 mil metros quadrados — área equivalente à de 165 campos de futebol americano — e custou US$ 3 bilhões. Mais da metade dos data centers do mundo está nos Estados Unidos. O maior em operação no país é o Colossus 2, em Shelby, Tennessee, com 40 hectares e capacidade de geração de 1.085 MW, que deverá ser superado por instalações como o New Era Lea Data Center, no Novo México, projetado para 7.000 MW.
Construir e operar essas instalações exige grandes quantidades de terra, eletricidade e água. A Agência Internacional de Energia prevê que, em 18 meses, entre 6,7% e 12% do consumo total de eletricidade dos EUA será destinado aos data centers. A água é usada para resfriar servidores e também na geração de energia e na fabricação de microchips. Muitos cidadãos de todo o espectro político manifestam preocupação com a falta de transparência e o ritmo imprudente de expansão da infraestrutura de IA, sobretudo em comunidades que enfrentam a construção em seus próprios bairros.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação