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Debate da Band expõe estratégia de provocações de Flávio Bolsonaro e declarações desmentidas pelo Aos Fatos

Por Redação
Atualizado em 19/10/2026 às 12:20 schedule 4 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O primeiro debate presidencial do segundo turno, promovido pela Band neste domingo (18), foi marcado por uma sequência de provocações de Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em diversos momentos, o senador deixou de responder diretamente às perguntas e substituiu explicações por ataques pessoais e acusações ao governo, o que gerou reclamações de Lula e intervenções dos mediadores.

Um dos episódios mais representativos ocorreu quando Lula questionou o adversário sobre sua atuação na discussão de uma proposta legislativa que retiraria exigências de identificação de munições usadas pelas forças de segurança. O presidente também cobrou explicações sobre a ampliação da licença-maternidade e sobre relações políticas controversas. Diante da ausência de respostas objetivas, Lula reclamou: “Eu fiz três perguntas e você não responde nenhuma”. Flávio, por sua vez, passou a repetir perguntas sobre o voto de familiares do presidente e a fazer acusações sobre a política de segurança pública. No caso das munições, a cobrança tinha base em uma alteração incorporada ao PL 3.723/2019 na Câmara, que previa a retirada de marcações de determinados cartuchos — versão defendida por Flávio durante a tramitação no Senado.

Uma checagem publicada pelo Aos Fatos identificou uma série de declarações falsas, enganosas ou descontextualizadas feitas pelo senador durante o confronto. Sobre o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias, Flávio afirmou que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, seria integrante do governo Lula. Segundo a agência de checagem, Antunes não ocupava cargo no governo federal nem era servidor do INSS: trata-se de um empresário e lobista investigado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema. O senador também afirmou que a PF ainda não havia investigado Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, informação igualmente desmentida — conforme a checagem, a corporação já conduzia três inquéritos envolvendo o filho do presidente, abertos entre julho e agosto de 2026 com autorização do Supremo Tribunal Federal. Lulinha nega irregularidades.

Lula questionou ainda o endereço comercial compartilhado por empresas ligadas ao senador e ao Careca do INSS, e Flávio negou manter escritório com o investigado. Reportagens citadas na checagem apontam que uma empresa da qual o senador é sócio utiliza endereço em Águas Claras, no Distrito Federal, onde também estão registradas pelo menos 16 empresas ligadas a Antunes, e que o escritório de advocacia de Flávio usou o mesmo contador do investigado. As coincidências de endereço e vínculos administrativos não comprovam, isoladamente, participação do senador nas fraudes do INSS.

Outro confronto envolveu o banqueiro Daniel Vorcaro e os recursos negociados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões associados à negociação, e Flávio defendeu a produção, sem detalhar os valores. O senador afirmou que a prisão de Vorcaro havia sido determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, omitindo parte da cronologia: o banqueiro foi preso inicialmente em novembro de 2025, em operação autorizada pela Justiça Federal, e a prisão determinada por Mendonça ocorreu depois, em março de 2026, a pedido da PF. A checagem também desmentiu a afirmação de que a criminalidade explodiu no atual governo — a taxa de mortes violentas intencionais caiu e chegou a 19,1 por 100 mil habitantes em 2025 — e o dado de que 73% dos presidiários votaram em Lula, percentual que se refere a seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas. A alegação de gasto de R$ 7 bilhões em viagens com Janja também foi contestada: o valor corresponde a despesas de diferentes órgãos federais entre 2023 e 2025.

Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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