Decisão do STF contra Eduardo pode impulsionar Flávio no 2º turno?
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro, pode influenciar a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O efeito, no entanto, divide analistas políticos ouvidos no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, nesta sexta-feira (9).
Para Bárbara Baião, analista de política da XP, a medida tende a favorecer Flávio ao reforçar o discurso contrário ao Supremo, que ganhou força nas urnas. "Me parece que esse é um elemento que tende a favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, que, pelo comportamento do eleitor no primeiro turno, se beneficiou dessa agenda anti-Supremo", afirmou. Segundo a analista, a eleição de um Congresso mais à direita, com candidaturas críticas ao STF, demonstra a força dessa pauta entre os eleitores.
Já Leopoldo Vieira, cientista político e CEO da IdealPolitik, considera prematuro antecipar o impacto da decisão. Na avaliação dele, episódios envolvendo a família Bolsonaro, a relação com Donald Trump e discussões sobre soberania nacional podem beneficiar Lula. "Todos esses assuntos que se relacionam com a soberania nacional, que associam, de alguma maneira, a família Bolsonaro à infração da lei, ou que têm a ver com essa ligação do clã Bolsonaro com a Casa Branca […] tendem a mexer a favor do Lula", disse.
Leopoldo observa ainda que o resultado do primeiro turno mudou a posição de Flávio na campanha. Depois de superar Lula por uma margem pequena, o candidato passou a ser considerado favorito, mas também ficou mais exposto a ataques. "Ele passa à condição de favorito e de principal vidraça", afirmou. Para o analista, a decisão contra Eduardo deve mobilizar a base bolsonarista, mas seu efeito sobre os demais eleitores ainda é incerto. "O fato de ele ter virado como favorito não significa que ele passou a ter um efeito teflon", completou.
Segundo os analistas, a repercussão do episódio dependerá principalmente da reação dos eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno, dos que podem mudar de voto e daqueles que não compareceram às urnas.
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Por Redação