Deltan diz que Gilmar Mendes usou processo contra ele para incluir Renan em debate da Globo
O ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol afirmou nesta quinta-feira (1º) que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou um processo relacionado à sua candidatura ao Senado pelo Paraná para determinar a participação de Renan Santos, do Missão, no debate presidencial da TV Globo, posteriormente cancelado. A declaração foi feita durante uma live com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e detalhada em publicação nas redes sociais.
Segundo Deltan, o pedido para incluir Renan no debate partiu do Solidariedade, que não é o partido do candidato. A legenda apresentou a solicitação em uma reclamação que envolvia a candidatura de Deltan ao Senado e que já estava sob relatoria de Gilmar. Antes disso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e a ministra Cármen Lúcia, do STF, haviam rejeitado pedidos para incluir Renan no debate.
“O que a minha candidatura no Paraná tem a ver com a escalação do debate presidencial? Absolutamente nada”, escreveu Deltan. Segundo ele, a reclamação tratava de “outra pessoa, outra eleição e outro conteúdo”. O ministro Gilmar Mendes determinou que a Globo assegurasse a participação de Renan Santos no debate e suspendeu a decisão de Nunes Marques que havia negado o pedido, considerando que Renan atendia a um dos critérios previstos no regulamento da emissora.
Deltan afirmou ainda que essa seria a segunda vez, em poucos dias, que uma decisão envolvendo sua candidatura produziria efeitos sobre a disputa presidencial. Ele citou uma decisão de Flávio Dino em outro processo relacionado à sua candidatura, na qual o ministro derrubou uma determinação de André Mendonça sobre publicações envolvendo Flávio Bolsonaro. Após as decisões judiciais sobre a composição do debate, a TV Globo cancelou o encontro que ocorreria na noite desta quinta-feira, citando as decisões de última hora e a insegurança jurídica entre as razões.
Durante a live, Deltan afirmou que as decisões judiciais que interferiram no debate representam uma forma de proteção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a concentração de votos em Flávio no primeiro turno. A participação de Deltan ocorreu no mesmo dia em que o recurso contra o registro de sua candidatura ao Senado chegou ao TSE, sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques. O TRE-PR deferiu o registro por 4 votos a 3, decisão contestada pela coligação encabeçada pelo PT, que alega inelegibilidade até 2030. Enquanto o TSE não julga o recurso, Deltan mantém o registro deferido, mas está impedido por liminar de realizar atos de campanha, pedir votos, participar de debates, usar horário eleitoral gratuito e acessar recursos dos fundos eleitoral e partidário.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação