Depois da euforia, mercado passa a ter cautela com trade eleitoral: o que esperar?
Depois de disparar 8,82% na semana passada — o melhor desempenho desde março de 2020 —, o Ibovespa passou a devolver parte dos ganhos. Nos três pregões desta semana até quinta-feira (15), o índice acumulou queda de 2,3%, na casa dos 204 mil pontos, após ter batido os 209 mil. No mesmo período, o dólar avançou mais de 2% e voltou para a região de R$ 5,09.
A mudança de humor reflete uma combinação de fatores: pesquisas que mostram um segundo turno competitivo, dúvidas sobre o cenário fiscal e novas propostas com potencial de impacto nas contas públicas, como a tarifa zero para o transporte urbano aos fins de semana, o perdão de dívidas de MEIs e os debates em torno da redução da jornada de trabalho.
Para Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, o movimento representa um "choque de realidade" após a reação inicialmente exuberante ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Segundo ele, parte do mercado passou a rever apostas diante da percepção de que a eleição continua aberta e dependerá fortemente das pesquisas e dos eventos de campanha das próximas semanas.
Na avaliação de Márcio Riauba, da StoneX Banco de Câmbio, a nova rodada de pesquisas reduziu a convicção que sustentava boa parte do fechamento recente do prêmio político nos ativos brasileiros. Ele afirma que o real deve continuar bastante sensível às próximas pesquisas e à percepção de qual candidato oferece maior previsibilidade fiscal. Na noite de quinta-feira, pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu no segundo turno, com 47% a 45% — placar que, na semana passada, estava em 49% a 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois seguem em empate técnico. Na véspera, a Quaest havia mostrado o senador com 46% e o presidente com 44%, também dentro da margem de erro.
Apesar da ressaca, analistas não veem a queda recente como o fim do trade eleitoral. O UBS elevou sua recomendação para ações brasileiras antes do segundo turno, e o Goldman Sachs calcula que o Ibovespa poderia alcançar 225 mil pontos em um cenário mais favorável para a percepção de política econômica e fiscal do próximo governo. A principal diferença em relação à semana passada, apontam os analistas, é que o mercado deixou de operar apenas na expectativa do resultado eleitoral e passou a exigir evidências mais concretas. Para Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, o cenário atual recomenda mais seletividade, e a aproximação do segundo turno deve manter a volatilidade elevada.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação