'Digger', com Tom Cruise, acerta na crítica sobre fim do mundo mesmo com sátiras sem graça; g1 já viu
O filme "Digger", estrelado por Tom Cruise e dirigido por Alejandro González Iñárritu, estreia nesta quinta-feira (1º) e acerta ao retratar a proximidade de uma catástrofe ambiental, embora tropece na tentativa de fazer sátira. Na trama, Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata norte-americano do petróleo que é alertado por seu diretor de segurança ambiental, o cientista Dr. Ganesh (Riz Ahmed), de que sua busca por dinheiro pode provocar um desastre ambiental sem precedentes.
Iñárritu, vencedor do Oscar por "Birdman", constrói a figura de um bilionário excêntrico cercado de bajuladores e apegado a uma gata moribunda de mais de 30 anos. A sátira, porém, não encontra o tom: um presidente à beira da morte por um câncer anal e representantes das Forças Armadas dos Estados Unidos dispostos a "explodir tudo a todo momento" aproximam o diretor do besteirol com crítica social, distante do humor fino que o gênero pode oferecer.
Quando abandona a caricatura e se leva a sério, o longa funciona melhor. Em determinado momento, Digger e seu funcionário precisam explicar a uma espécie de parlamento europeu os problemas ambientais causados pela empresa de petróleo. Após instigar o Dr. Ganesh a revelar toda a verdade, o magnata faz um monólogo carregado de verdades brutais: as autoridades não estariam tão interessadas em resolver o problema, e culpar um bilionário excêntrico seria mais fácil do que admitir que seguimos consumindo até a última gota dos recursos naturais.
A atuação de Cruise é apontada como um dos pontos altos. Conhecido na última década por filmes de ação e aventura, o ator mostra em "Digger" uma conexão de maior profundidade com o papel. A caracterização também se destaca: ele interpreta um homem gordo e idoso, transformação que, segundo a crítica, é executada com excelência ao longo do filme. Riz Ahmed e Jesse Plemons, este último em um monólogo elogiado, também têm bom desempenho.
O filme é descrito como muito bonito e já cotado para categorias técnicas no Oscar. Ainda assim, passa a impressão de tentar abordar temas demais em pouco tempo, o que pode gerar ruído de fluidez. No saldo final, a atuação do elenco e a fotografia tornam a obra interessante, com um tema central em alta que não deixa o espectador indiferente.
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Por Redação