Dólar volta a subir: é um bom momento para investir lá fora?
O dólar voltou a subir nesta semana e encerrou o período cotado a cerca de R$ 5,08, alta de quase 2%, depois de ter caído abaixo de R$ 5 com o resultado do primeiro turno. O movimento, influenciado por pesquisas que apontam um segundo turno mais disputado, reacendeu a dúvida entre investidores que adiaram a aplicação no exterior: seria este um bom momento para comprar a moeda americana?
Para os especialistas, a resposta passa menos pelo timing do câmbio e mais pelo papel que o dólar cumpre na carteira. O dinheiro aplicado no exterior serve para proteger e diversificar o patrimônio, e não para render mais que o CDI. A oscilação recente ilustra a dificuldade de acertar o melhor ponto de entrada: a moeda pode tanto voltar a cair quanto seguir em alta, a depender do resultado das urnas e do debate fiscal.
No curto prazo, o câmbio deve continuar reagindo à eleição e às expectativas para as contas públicas. O Goldman Sachs passou a projetar o dólar em R$ 4,70 em três meses, mas condicionou a estimativa a um cenário de ajuste fiscal e governabilidade favorável após a eleição — avaliação feita antes de as pesquisas mostrarem uma disputa mais apertada. O banco, ainda assim, não esperava queda contínua da moeda, já que os cortes da Selic tendem a reduzir aos poucos a diferença entre os juros pagos no Brasil e lá fora, e dezembro costuma registrar saída forte de recursos do país.
Em prazo mais longo, a tendência histórica é de desvalorização do real. Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, lembra que a moeda brasileira perdeu, em média, 3,3% do valor por ano frente ao dólar na última década, movimento explicado pela inflação mais alta no Brasil do que nos Estados Unidos e pelo endividamento maior que o de vizinhos como o México. Para ela, o brasileiro ainda concentra demais o dinheiro em ativos locais.
Quanto à alocação, a XP recomenda manter ao menos 15% do patrimônio em dólar, divididos de forma equilibrada entre renda fixa e ações. Na renda fixa, a preferência é por títulos com vencimento mais curto ou intermediário, que oscilam menos com as preocupações sobre a dívida americana. A BlackRock deixou de recomendar a venda de Treasuries, posição que mantinha havia seis anos, e passou a indicar os papéis de curto prazo; a JPMorgan Asset prefere vencimentos em torno de cinco anos. Nas ações, o alerta é a concentração: as dez maiores companhias já respondem por 40% do S&P 500, o que amplia o impacto de qualquer desconfiança em relação à inteligência artificial. Diante das incertezas, a orientação é investir aos poucos, sem tentar acertar o melhor momento do câmbio.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação