Donald Trump negocia diesel com a Rússia e estremece relação com a Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fechou um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para ampliar a oferta de diesel russo no mercado internacional. O objetivo declarado é reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições americanas de novembro. O anúncio foi feito em 9 de outubro e abriu uma crise diplomática com a Ucrânia.
Para que o combustível russo chegue ao mercado sem interrupções, o governo americano passou a pressionar Kiev a cessar os ataques com drones a refinarias da Rússia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condiciona a interrupção dos bombardeios à parada dos ataques russos contra a rede elétrica da Ucrânia. O impasse deteriorou a relação entre os dois governos.
Restrições ao Starshield e alertas de mísseis
Segundo relatos citados na reportagem, os EUA reduziram o envio de alertas de mísseis à Ucrânia e limitaram o uso do Starshield, versão militar da rede de satélites Starlink, criada pela SpaceX, de Elon Musk. O sistema é essencial para a comunicação em campo de batalha e para o controle de drones em áreas sem internet comum. Militares ucranianos denunciaram quedas de velocidade e bloqueios no serviço. A ordem para restringir o sistema teria partido da Casa Branca como pressão política contra Zelensky, mas nem o governo americano nem a SpaceX confirmaram oficialmente a medida.
Dependência de mísseis Patriot
A Ucrânia também ficou sem os mísseis interceptadores usados nos sistemas Patriot, considerados entre os mais modernos do mundo para derrubar mísseis balísticos antes que atinjam alvos estratégicos. A falta dos projéteis, caros e produzidos em baixa escala, impediu a proteção contra bombardeios recentes em Kiev e Kharkiv. Sem essa defesa, as usinas de energia ucranianas ficam vulneráveis.
Efeito nos preços é incerto
Especialistas em energia e direito internacional duvidam da eficácia do acordo para baixar os preços nos Estados Unidos. O volume prometido pela Rússia, de cerca de 75 mil barris por dia, é pequeno diante do que o mercado perdeu com os conflitos no Oriente Médio. Além disso, uma proibição aprovada pelo Congresso americano em 2022 impede a importação direta de derivados de petróleo russo. Sem aval dos congressistas, o diesel deve abastecer outros países, sem alívio direto para o consumidor americano, funcionando mais como um aceno político de Trump.
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Por Redação