Em sabatina, Flávio não explica propostas e faz acusações sem provas
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi sabatinado na noite desta sexta-feira (16) pela TV Globo. Durante pouco mais de 40 minutos, ele negou que os atos de 8 de janeiro de 2023 tenham configurado tentativa de golpe de Estado e chamou de “farsa” o julgamento do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão. “Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, afirmou. Ele minimizou o episódio dizendo que “uma senhora com Bíblia” não estava tentando dar um golpe. Naquele dia, milhares de pessoas agrediram policiais e invadiram e vandalizaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.
Sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso atualmente, Flávio disse que não houve “nada de errado” em pedir R$ 130 milhões a ele. O candidato afirmou que tudo relacionado ao dinheiro dado por Vorcaro — cerca de R$ 60 milhões — para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia sido esclarecido. Segundo ele, o nome do ex-banqueiro surgiu como financiador do filme enquanto prospectava investidores, e Vorcaro concordou “quando não havia nada de errado” com o banco. O candidato, no entanto, continuou cobrando o dinheiro mesmo depois de reveladas as suspeitas de fraude no Master.
Na área de segurança, o candidato prometeu classificar as facções Comando Vermelho e PCC como organizações narcoterroristas, sem explicar como a medida mudaria, na prática, o combate ao crime organizado. Defendeu mudanças na lei do desarmamento para facilitar o acesso a armas — “O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas” — e evitou falar sobre seu apoio a projeto que retira a marcação de cápsulas de balas das forças de segurança. Perguntado sobre relações com políticos do Rio envolvidos com o crime organizado, como o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella, disse estar surpreso e que eles têm direito à ampla defesa, mas que a Justiça não pode poupar culpados.
Flávio reiterou o desejo de acabar com a reeleição para presidente e disse que a duração do mandato caberia ao Congresso decidir. Segundo ele, a proposta valeria já para o próximo mandato e também impediria a candidatura de parentes do presidente até o terceiro grau na sequência. Na economia, defendeu corte na dívida da União de mais de R$ 200 bilhões, que viria da venda de imóveis públicos abandonados, e afirmou que poderá arrecadar “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração da margem equatorial, sem mencionar que a própria Petrobras prevê o início da exploração apenas após 2033. Prometeu extinguir ao menos dez ministérios e disse que o pai cortou milhares de cargos em comissão quando presidente. Horas antes da sabatina, o candidato almoçou com diretores da Rede Globo, encontro confirmado pela emissora após a notícia vazar.
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Por Redação