EUA: católicos e evangélicos pedem tratamento humano para migrantes
Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, representantes da Igreja Católica e das Igrejas Evangélicas publicaram juntos um documento ecumênico abrangente sobre imigração. O texto "Um apelo à compaixão e à sabedoria cristãs no debate sobre imigração" foi divulgado na terça-feira, 13 de outubro, e é assinado pelo bispo Brendan John Cahill, presidente da Comissão de Migração da Conferência Episcopal dos EUA, e pelo reverendo Walter Kim, presidente da Associação Nacional de Evangélicos.
Os dois religiosos também são copresidentes do Diálogo Evangélico-Católico sobre Imigração, organismo criado em março passado e composto por cinco membros evangélicos e cinco católicos. Segundo a declaração, o que torna o documento único não é seu conteúdo, enraizado em séculos de ensinamentos cristãos já reafirmados individualmente pelas duas tradições, mas a clara unidade que as une neste momento em torno da preocupação com as pessoas afetadas pelas atuais políticas migratórias.
O texto afirma que a aplicação indiscriminada e agressiva da lei e o policiamento correm o risco de dividir e destruir famílias e comunidades. A declaração relata a disseminação do medo, a desintegração de famílias, a negação do devido processo legal e a difamação do próximo, mas também menciona gestos de esperança e de amor entre vizinhos. A situação é agravada pelo aumento significativo de detenções e deportações, muitas vezes consequência da revogação, pelo governo dos EUA, de proteções legais para vários grupos de imigrantes.
Entre os casos citados está o dos haitianos que, em 27 de julho, tiveram revogado o Status de Proteção Temporária (TPS), que lhes permitia residir no país. Cerca de 330 mil haitianos dependiam do benefício, concedido após o terremoto de 2010. Católicos e evangélicos defendem uma reforma imigratória que ofereça aos residentes de longa data oportunidades concretas de regularização, com medidas direcionadas, proporcionais e humanas, que protejam a unidade familiar e priorizem ações contra quem ameaça a segurança pública, respeitando sempre o processo justo.
O documento pede ainda que a detenção de imigrantes não violentos, especialmente menores e famílias, seja estritamente limitada, com acesso efetivo à assistência espiritual e jurídica. Os signatários ressaltam que somente o Congresso tem o poder de abordar as lacunas regulatórias do sistema legal de imigração. Em paralelo, o arcebispo Paul Stagg Coakley, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, escreveu ao presidente Donald Trump sobre o crescente número de haitianos repatriados à força, pedindo que exerça sua autoridade sob a Constituição para conceder adiamento da deportação forçada. A Associação Nacional de Evangélicos também se uniu à organização humanitária World Relief e a dezenas de líderes religiosos para instar o Congresso a criar um caminho legislativo para os haitianos afetados pela revogação do TPS.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação