EUA podem perder para o Brasil o papel de maior exportador agrícola do mundo, diz Financial Times
O jornal britânico Financial Times publicou análise nesta semana apontando que os Estados Unidos correm o risco de perder para o Brasil a posição de maior exportador agrícola do mundo. O movimento, segundo o periódico, é reflexo direto da guerra comercial iniciada pelo governo de Donald Trump, que impôs tarifas sobre produtos chineses e provocou uma retaliação de Pequim.
A China, um dos maiores compradores de commodities agrícolas do planeta, reduziu significativamente as importações de produtos americanos após a imposição das tarifas. Com isso, o Brasil passou a ocupar espaço no mercado chinês, especialmente no setor de grãos como soja e milho. O jornal destaca que a mudança nos fluxos comerciais beneficiou diretamente os produtores brasileiros, que ampliaram sua participação nas vendas para o país asiático.
Dados citados pela publicação indicam que a vantagem americana no comércio agrícola global vem diminuindo de forma consistente nos últimos anos. O avanço brasileiro é atribuído não apenas à conjuntura tarifária, mas também à expansão da área cultivada e à modernização do setor no país. O Financial Times ressalta que a combinação de fatores estruturais e conjunturais coloca o Brasil em trajetória para assumir a liderança do ranking, caso o cenário atual se mantenha.
Analistas ouvidos pelo jornal avaliam que a política tarifária americana teve efeito contrário ao pretendido pela Casa Branca. Em vez de proteger a produção doméstica, as medidas teriam enfraquecido a competitividade dos exportadores dos EUA em um dos mercados mais relevantes do mundo. O governo americano não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da reportagem até o fechamento desta edição.
O Ministério da Agricultura do Brasil também não comentou as projeções do jornal britânico. Especialistas do setor, no entanto, apontam que a eventual troca de posição no ranking não depende apenas do desempenho brasileiro, mas também de uma possível revisão das tarifas americanas em negociações futuras entre Washington e Pequim.
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Por Redação