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Europa pagou R$ 44 bilhões à Rússia por gás mesmo tentando reduzir dependência de Putin

Atualizado em 10/10/2026 às 10:50 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A União Europeia gastou cerca de 7,88 bilhões de euros (aproximadamente R$ 44 bilhões) na compra de gás natural russo nos primeiros nove meses deste ano, apesar das medidas adotadas pelo bloco para reduzir sua dependência energética de Moscou. Os valores foram divulgados nesta sexta-feira (9) pela organização alemã Urgewald, que identificou um aumento nas importações do combustível em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a análise, entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 12,18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) chegaram aos portos europeus vindas do projeto russo Yamal LNG, localizado no Ártico. O volume é o maior já registrado para esse período e representa um crescimento de 9,5% em relação aos nove primeiros meses de 2025. Os dados foram levantados a partir de informações da empresa de monitoramento marítimo Kpler.

Ao todo, 167 carregamentos de gás russo chegaram aos portos da União Europeia durante o período analisado — em média, uma embarcação com combustível vindo de Yamal desembarcou no bloco a cada 1,6 dia. A Europa também recebeu 85% de todo o gás exportado pelo projeto russo entre janeiro e setembro. Enquanto as entregas globais do Yamal diminuíram 1,3%, os países europeus aumentaram suas compras.

A França aparece entre os principais destinos do combustível. Somente em setembro, o país recebeu quase três quartos de todo o gás russo do Yamal entregue à União Europeia, com carregamentos desembarcando principalmente nos portos de Dunkirk e Montoir. No mesmo mês, os europeus ainda receberam 792,4 mil toneladas do combustível, volume ligeiramente superior ao registrado em setembro de 2025, movimentando cerca de 818 milhões de euros.

O comércio continua mesmo depois de a União Europeia começar a aplicar restrições à compra de gás russo. Em abril deste ano, entrou em vigor no bloco a proibição de importações realizadas por meio de determinados contratos de curto prazo, mas a medida não interrompeu os fornecimentos previstos em contratos mais antigos e de longa duração. A proibição total das compras de GNL está prevista para 1º de janeiro de 2027, enquanto as importações por gasodutos poderão continuar até o segundo semestre do próximo ano.

Sebastian Rötters, responsável pela campanha de sanções contra a Rússia na Urgewald, afirmou que as restrições adotadas até agora tiveram pouco efeito sobre esse comércio. "A proibição dos contratos de curto prazo pouco fez para interromper o comércio. Somente a proibição total das importações, a partir de 2027, começará a pressionar seriamente o negócio de gás natural liquefeito da Rússia", declarou. A organização pediu que Bruxelas amplie as sanções contra os navios usados para transportar o combustível do Ártico.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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