Fenômeno com 524 mil votos, Ana Elisa vai a Brasília e entra na estratégia de Lula para as redes
Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, reuniu-se nesta terça-feira (6) em Brasília com o vice-presidente Geraldo Alckmin, dois dias depois de ser eleita deputada federal com 524.219 votos em Minas Gerais. O encontro foi registrado e divulgado pelo próprio Alckmin em seu perfil no Instagram. A agenda ocorre em meio à reformulação da estratégia digital da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Nascida em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Ana Elisa é negra, estudante de Direito, estagiária e influenciadora digital. Filiou-se ao PT em março deste ano e concorreu pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, sem nunca ter ocupado cargo público. Antes da eleição, já acumulava cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram, onde aborda racismo, feminismo, educação, desigualdade e direitos sociais.
Os 524.219 votos corresponderam a 4,57% dos votos válidos para deputado federal em Minas Gerais, tornando-a a segunda candidata mais votada do estado, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), que recebeu 3.119.318 votos. Ana Elisa também estabeleceu recorde entre as mulheres mineiras: nenhuma havia recebido tantos votos para deputada federal no estado, superando a marca anterior de Duda Salabert, com 208.332 votos em 2022. Aos 21 anos, ela alcançou exatamente a idade mínima prevista pela Constituição para ocupar uma cadeira na Câmara.
Após a eleição, a parlamentar eleita criticou a comunicação da esquerda e defendeu mudança imediata na forma como a campanha presidencial se dirige aos eleitores na internet. Afirmou que a esquerda precisa reconhecer erros e "calçar a sandália da humildade" diante do desempenho da direita nas redes, e resumiu: "Quem conseguir se comunicar melhor, vai ganhar." Segundo ela, se a estratégia permanecer igual à do primeiro turno, Flávio Bolsonaro poderá vencer a disputa.
Sua campanha, construída principalmente pela internet, com vídeos curtos e linguagem direta, também mobilizou apoiadores financeiramente: a vaquinha eleitoral ultrapassou R$ 100 mil. Entre as bandeiras que defende estão o fim da escala 6x1, o fortalecimento da educação pública, o passe livre universitário intermunicipal, políticas para o primeiro emprego, cotas raciais e o combate ao racismo e à desinformação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação