Fim da escala 6x1: o que pensa uma mãe solo e um pequeno empresário
Mãe solo de três filhos, Luciana de Almeida, 36 anos, trabalha como operadora de caixa em um supermercado em Campo Grande, no Rio de Janeiro, e integra os 14,8 milhões de brasileiros submetidos à escala 6x1. Sua rotina começa às 5h, quando arruma as filhas de 4 anos e 1 ano e 8 meses e as deixa na escola em Realengo antes de encarar cerca de 1h30 de transporte público. Ela almoça por volta das 15h, sai do trabalho às 17h50 e chega em casa perto das 20h, quando assume o cuidado dos filhos. Com apenas uma folga por semana, o descanso costuma ser consumido pelas tarefas domésticas, e ela ainda faz faxinas para complementar a renda. "Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", relata.
O Senado aprovou em 14 de outubro, por 75 votos a 1, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. O texto virou lei em 16 de outubro, e a mudança na escala começa em dois meses. Luciana comemora e planeja descansar, fazer um extra e ter mais tempo com os filhos e nos eventos escolares. "No Dia das Mães, eu nem mandava meus filhos para a escola. Eu não podia aparecer e é chato, né?", diz.
O pequeno empresário Valnei dos Santos, 39 anos, também é a favor do fim da 6x1, mas vive a notícia sob outra ótica. Ele tinha um mercado em Itapuã, em Salvador, com cinco funcionários, e trabalhava de 15 a 16 horas por dia. Com a PEC avançando, fez as contas: contratar mais dois funcionários aumentaria os custos em pelo menos R$ 6 mil com encargos, valor que não fecharia diante de uma renda de cerca de R$ 14 mil em meses bons. Ele vendeu o mercadinho e hoje se divide entre a corretagem de imóveis e uma lanchonete. "Em toda guerra há feridos. Infelizmente, esse ferido nesse momento foi eu, mas faz parte", afirma.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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