Foi promovido? Conheça o erro que pode comprometer seu sucesso no novo cargo
Assumir um cargo de liderança depois de uma promoção costuma embaralhar as fronteiras entre a função antiga e a nova. O profissional foi promovido justamente porque se destacou na execução anterior, e abandonar esse trabalho pode parecer abrir mão de parte da própria identidade profissional. O avanço real, porém, exige entrar de forma intencional no novo nível — e não desempenhar dois cargos ao mesmo tempo.
O primeiro passo é esclarecer o novo escopo e a autoridade que ele carrega. Nem sempre a clareza que os líderes mais seniores têm sobre a promoção chega ao promovido. Vale reservar um tempo para entender o que está sob sua responsabilidade e o que deve ser conduzido por outras pessoas. Três perguntas ao novo chefe ajudam nesse processo: que valor se espera agregar na posição, como são definidos os resultados pelos quais o líder responderá e como a função se compara à do antecessor. Um caso ilustrativo é o de uma executiva promovida após a aposentadoria do chefe: seis meses depois, recebeu do CEO o feedback de que não atendia às expectativas. O problema não era esforço, mas foco — ela seguia executando partes do trabalho anterior, participando de reuniões que deveria delegar e tomando decisões que cabiam à sucessora.
Definir uma data formal para a transição também é essencial. O desapego fica mais difícil quando não há sucessor definido ou quando ele ainda precisa entender a cultura e as prioridades do negócio. A data pode se basear em marcos da empresa, como o início de um trimestre, 60 ou 90 dias após a chegada de um novo profissional ou a conclusão de um projeto relevante. Quando o momento chegar, a mudança deve ser comunicada a subordinados diretos, parceiros de outras áreas e colegas, com a apresentação de quem assume a responsabilidade e o aviso de que o líder não participará mais das reuniões sobre o tema.
Outro movimento é construir uma nova narrativa de liderança. Na passagem da execução tática para a posição estratégica, o sucesso deixa de ser medido pela conclusão de projetos e pela resolução de problemas diários e passa a ser avaliado pela capacidade de fazer os outros entregarem resultados e impulsionarem objetivos de longo prazo. Registrar essa narrativa por escrito dá clareza ao foco e reforça o papel de guardião da visão da organização. Um cliente que saiu de vice-presidente de marketing para diretor de marketing (CMO), por exemplo, montou uma apresentação explicando como agregaria valor e a compartilhou com outros líderes para alinhar expectativas, deixando claro que as decisões operacionais do dia a dia caberiam aos líderes de marca, marketing e experiência do cliente.
Por fim, é preciso redirecionar solicitações de forma consciente. Resistir à tentação de resolver em poucos minutos problemas ligados às antigas responsabilidades é talvez a parte mais difícil. Quando colegas procurarem o líder para essas questões, o caminho é direcioná-los à pessoa adequada, em vez de assumir o problema — continuar respondendo mantém o profissional preso ao passado e enfraquece a autoridade da equipe. Redirecionar não é falta de educação, e sim liderança responsável. Contar com um parceiro de reflexão, como um profissional de RH ou um coach executivo, ajuda a identificar pontos cegos e a sustentar os novos hábitos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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