Fundos de infra vivem “um dos piores meses da história”; queda é oportunidade?
Os fundos de infraestrutura (FI-Infra), que aplicam em debêntures incentivadas isentas de Imposto de Renda, enfrentaram em setembro um dos piores meses de sua história. Segundo a Sparta, gestora especializada em crédito, os fundos que trocam a exposição à inflação pelo CDI — os chamados hedgeados — tiveram, em sua maioria, retorno negativo. A mediana dos prêmios das debêntures incentivadas sobre os títulos públicos subiu cerca de 0,40 ponto percentual no mês.
A reação dos cotistas veio em forma de resgates. De acordo com o Bradesco BBI, os fundos de infraestrutura registraram saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões em setembro, ante R$ 2,6 bilhões em agosto, e renderam menos que o CDI pelo terceiro mês seguido. Desde março a categoria só registra saídas, com pico de R$ 11,6 bilhões em maio. “Vemos fundos com rendimento negativo e os resgates começando a acelerar novamente”, afirma Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, referindo-se a outubro.
O mecanismo por trás da queda está no hedge. Esse instrumento elimina a oscilação dos juros, mas não a do spread — o prêmio que a debênture paga acima do título público. Quando o prêmio sobe, o preço do papel cai. Segundo a Sparta, “bastou uma alteração relativamente pequena no equilíbrio de fluxo” para provocar o movimento. Cerca de 70% dos fundos isentos de debêntures incentivadas usam hedge, segundo Thais, e muitos investidores passaram a enxergar esses produtos como uma LCI ou LCA, com rendimento isento e liquidez.
O efeito dos resgates agrava o quadro. Os FI-Infra precisam manter ao menos 85% do patrimônio em ativos incentivados e, ao sofrerem resgate, são obrigados a vender crédito — diferentemente de fundos bancários, que carregam LFT e têm CDB vencendo diariamente. A queda dos juros dos títulos públicos após o primeiro turno piorou a situação. Pelos dados do BBI, o spread das incentivadas de melhor nota (AAA) subiu 0,52 ponto em 30 dias e chegou ao maior nível desde o fim de 2024.
As visões sobre o momento são divergentes. Thais afirma que ainda não é hora de investir: segundo ela, os fundos carregam algo próximo de 93% do CDI, o que não compensa diante de uma LCI ou LCA. A Sparta diz que a correção já criou oportunidades, mas tem preservado caixa para não ser vendedora forçada. Já a Vinland avalia que não há piora de crédito que justifique a queda e que os prêmios, no maior nível desde julho de 2024, abrem uma janela de entrada.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação