Golpe usa site falso do TSE e cobra taxa via Pix para “regularizar” título eleitoral
Às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4), criminosos criaram um site falso que imita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar uma suposta taxa de regularização do título de eleitor via Pix. O alerta foi feito pela empresa de cibersegurança ESET, que identificou a página fraudulenta durante um monitoramento de ameaças digitais relacionadas ao processo eleitoral.
A fraude começa em uma página intitulada "Consulta de Situação Eleitoral", criada para se parecer com um serviço oficial da Justiça Eleitoral. Ao informar o CPF, o usuário recebe mensagens como "Seus dados são protegidos" e elementos visuais semelhantes aos de plataformas governamentais. Em seguida, o sistema exibe dados pessoais reais da vítima, como nome completo e nome da mãe, além de campos mascarados do título de eleitor, da zona eleitoral e da seção de votação. O eleitor é então informado de que seu título está irregular, com um aviso destacado da palavra "PENDENTE", e de que há uma suposta dívida de R$ 47,90, dividida entre multa eleitoral, encargos administrativos e taxa de regularização cadastral.
Para pressionar a vítima, os criminosos afirmam que a falta de pagamento pode resultar em suspensão do direito ao voto, impedimento de participar das eleições, restrições para acessar benefícios governamentais e dificuldades para usar serviços que exigem situação eleitoral regular. Ao clicar para quitar o débito, o usuário é direcionado a uma página com QR Code e código Pix Copia e Cola. Segundo a ESET, nos testes realizados pelos pesquisadores, todos os CPFs válidos consultados apresentaram a mesma suposta pendência e o mesmo valor a ser pago — um dos principais indícios de que se trata de golpe.
O destinatário exibido durante a transferência não é o Tesouro Nacional nem qualquer instituição ligada à Justiça Eleitoral, mas uma empresa sediada em Curitiba. A ESET afirma não ter conseguido confirmar se a empresa tem participação direta na fraude ou se atua apenas como intermediária de pagamentos. "A exibição de dados pessoais verdadeiros pode fazer o eleitor acreditar que está em um serviço oficial. Ao combinar essas informações com ameaças de impedimento para votar, os criminosos criam uma sensação de urgência para induzir o pagamento sem que a vítima confira o endereço da página ou o destinatário do Pix", explica Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET.
Quem já efetuou a transferência deve procurar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Especialistas também recomendam registrar boletim de ocorrência e monitorar movimentações bancárias e contatos suspeitos, já que os dados informados durante o golpe podem ser usados em novas tentativas de fraude. A ESET orienta consultar a situação eleitoral apenas pelo site do TSE ou pelo aplicativo e-Título, desconfiar de links recebidos por mensagens, redes sociais ou anúncios, verificar o endereço da página — o portal oficial usa o domínio tse.jus.br — e conferir o destinatário do Pix antes de concluir o pagamento. Segundo o TSE, multas eleitorais pagas pelos canais oficiais têm como recebedor o Tesouro Nacional.
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Por Redação