Grande testemunha britânica dos inventos de Pe. Landell
O episódio da carta enviada pelo Padre Roberto Landell de Moura ao cônsul britânico em São Paulo, em junho de 1900, é apresentado como uma das páginas mais emblemáticas e dolorosas da história da ciência brasileira. Poucos dias depois de realizar uma demonstração pioneira de transmissão da voz sem fio diante de uma testemunha estrangeira qualificada, o sacerdote e cientista gaúcho decidiu oferecer ao governo britânico seus projetos e cinco de seus inventos, diante da falta de apoio e reconhecimento em sua própria pátria.
Segundo o material, o destinatário foi Percy Charles Parmenter Lupton, cônsul britânico em São Paulo na transição do século XIX para o século XX. Lupton é descrito como uma das principais testemunhas oficiais da demonstração pública de transmissão de voz sem fio realizada por Landell de Moura em 3 de junho de 1900. O experimento transmitiu a voz humana por ondas eletromagnéticas a uma distância de aproximadamente 8 quilômetros, em linha reta, entre a Avenida Paulista e o Alto de Santana, na capital paulista. A testemunha qualificada e sua família assistiram ao teste a convite do inventor.
O feito foi documentado na edição de 10 de junho de 1900 do Jornal do Commercio, que destacou o sucesso absoluto da experiência e registrou a presença do representante do governo britânico como autoridade validadora. Dias após a demonstração, ciente do desinteresse e da falta de apoio das autoridades brasileiras, o Padre Landell enviou carta oficial a Lupton, oferecendo suas patentes e projetos na tentativa de conseguir financiamento do governo britânico para continuar suas pesquisas.
Na carta de 16 de junho de 1900, o sacerdote afirmou que, embora fossem muitos os aparelhos que havia imaginado, apenas cinco seriam exibidos por falta de recursos e de bons mecânicos de sua inteira confiança: o "Telauxiofono", o "Caleofono", o "Anematofono", o "Teletiton" e o "Edifono". Ele declarou que cederia os aparelhos a quem mais vantagens oferecesse e que, caso as propostas não compensassem os sacrifícios feitos, faria doação ao Governo Britânico ou a qualquer instituição universitária, com a condição de receber o necessário para viver e continuar seus estudos e experiências científicas.
O texto observa que, nas entrelinhas da carta, transparece um grande desencanto com a terra natal, e levanta questões sobre o que teria levado o inventor a tomar a decisão de despojar-se de seus próprios inventos em favor de um país estrangeiro, além do que teria determinado a não entrega dos mesmos. O autor citado, Ernani Fornari, responde que somente o conhecimento completo e profundo da vida, das obras, do caráter e da sensibilidade do padre, bem como das circunstâncias em que os acontecimentos se desenrolaram, poderia dar resposta satisfatória a essas perguntas.
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Por Redação