Guerra colide com ambições da Arábia Saudita em encontro de potências do petróleo
Do lado de fora do centro de exposições de Riad, diplomatas estrangeiros receberam um alerta sobre um possível míssil rumo à capital saudita. Dentro do pavilhão, o aviso era outro: os participantes deveriam ocupar seus lugares, pois o ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, estava prestes a subir ao palco. O contraste marcou o Congresso Mundial de Energia (WPC Energy Congress), iniciado no domingo e programado para seguir até sexta-feira (16).
A Arábia Saudita enfrenta uma forte escalada de ataques com mísseis e drones lançados pelos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã. Ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, mataram ao menos 17 pessoas e deixaram centenas de feridos, e as autoridades suspenderam as operações comerciais do terminal por tempo indeterminado. Participantes do congresso precisaram redirecionar voos para outros aeroportos e até outros países da região. Alguns executivos, incluindo os CEOs da Exxon, Shell, Chevron e BP, cancelaram suas participações.
Apesar das ameaças, as autoridades sauditas tentaram transmitir uma mensagem de normalidade durante o evento. "A palavra 'medo' não existe no dicionário saudita", afirmou Abdulaziz em tom desafiador na segunda-feira. No congresso, a mensagem central do governo foi a segurança energética: o ministro procurou tranquilizar os mercados, classificando Riad como "a capital da segurança energética" e apresentando o país como um fornecedor confiável diante do conflito crescente na região.
Abdulaziz destacou a rápida recuperação do oleoduto Leste-Oeste, temporariamente interrompido em setembro após um ataque com drones lançado a partir do território iraquiano. A infraestrutura leva petróleo dos campos do leste saudita até um terminal no Mar Vermelho e tem sido considerada vital por contornar o Estreito de Ormuz. Segundo o ministro, o governo planeja ampliar a capacidade do oleoduto para cerca de 10 milhões de barris por dia, ante o limite atual de 7 milhões.
Os ataques dos últimos dias expuseram riscos não apenas para a segurança do reino, mas também para o projeto saudita de se consolidar como um centro financeiro global. Ainda neste mês, Riad sediará a conferência anual de investimentos promovida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, conhecida como Future Investment Initiative (FII) e apelidada de "Davos do Deserto". Os organizadores confirmaram nesta terça-feira que o evento será realizado conforme o planejado, com medidas reforçadas de segurança e apoio logístico aos participantes.
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Por Redação