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Indecisos dobram na reta final e colocam Flávio em alerta, avalia cientista político

Por Redação
Atualizado em 22/10/2026 às 08:35 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O crescimento do eleitorado que não declara voto espontaneamente em nenhum candidato na pesquisa Quaest acendeu um sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do segundo turno. Na modalidade espontânea, o percentual de indecisos subiu de 7% para 14% no levantamento divulgado nesta quarta-feira (21). A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), para quem o movimento pode refletir a ofensiva de Lula (PT) sobre as propostas do adversário e sua associação a riscos para programas sociais.

O dado contrasta com outro indicador da mesma pesquisa: cerca de 90% dos entrevistados afirmam que não pretendem mudar de voto. Para Medeiros, a combinação não significa necessariamente que os dois candidatos passaram a disputar um eleitorado maior. A disputa segue marcada por alta fidelidade das bases, mas parte dos eleitores menos identificados politicamente pode estar reconsiderando a preferência. “Esse eleitor que estava mais propenso a votar numa alternativa eleitoral de mudança passa a enxergar agora o futuro com certa desconfiança, com medo de dar um passo além da alternância de poder”, afirmou.

Na leitura do professor, a campanha petista conseguiu explorar uma vulnerabilidade do senador, que se beneficiou da força política do sobrenome Bolsonaro e do sentimento de oposição ao governo, mas ainda precisa apresentar suas próprias posições a uma parcela do eleitorado. “Essa tática de campanha mais agressiva de Lula começa a colher dividendos, e esse número mostra exatamente isso”, disse. A interpretação de Medeiros é que parte do eleitorado independente passou a ver a possibilidade de mudança de governo com mais cautela — o que não significa que esses votos tenham migrado para Lula.

A Quaest também apontou redução na rejeição dos dois candidatos, em intensidades diferentes: a de Lula caiu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio passou de 54% para 52%. Para o cientista político, a diferença reforça a necessidade de o senador reduzir resistências entre eleitores que não se identificam com nenhum dos dois campos. Entre os independentes, Medeiros identifica segmentos como jovens, mulheres de baixa renda e moradores do Sudeste, que mereceriam atenção especial das campanhas nos últimos dias. A concentração de agendas em São Paulo e Minas Gerais integra essa disputa: Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula na região, enquanto o presidente tenta recuperar terreno em colégios eleitorais decisivos.

O professor ressalta, porém, que a maior indecisão não representa vantagem automática para o petista. “Também não é um cenário de pronto que beneficia Lula, esse número de indecisos, porque ele não conseguiu converter esses votos”, afirmou. Uma possibilidade é que parte desses eleitores opte pelo voto branco ou nulo, ou deixe de comparecer às urnas — comportamento com peso especial em uma eleição cujos levantamentos seguem indicando empate técnico. Na Quaest divulgada nesta quarta-feira, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, diferença de um ponto percentual dentro da margem de erro. “Esse comportamento pendular desse eleitor independente vai ser muito decisivo nessa reta final”, afirmou Medeiros.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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