ITUB4 passa de R$ 50 pela 1ª vez; até onde ação do Itaú pode subir?
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) dispararam nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições, e superaram pela primeira vez a marca dos R$ 50. O papel encerrou o dia em alta de 10,37%, a R$ 49,48, depois de atingir R$ 50,68 na máxima da sessão. O movimento levou a ação a novas máximas históricas, superando o recorde anterior de R$ 48,81, segundo o material analisado.
A alta ocorreu em meio a uma valorização generalizada do setor financeiro. Bradesco (BBDC4) encerrou o dia com ganho de 13,57%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 11,00% e Itaúsa (ITSA4) avançou 11,52%. Empresas mais diretamente expostas ao mercado de capitais registraram movimentos ainda maiores: XPBR31 subiu 24,43%, BPAC11 avançou 22,52% e B3SA3 ganhou 22,63%. O Ibovespa avançou 7,70%, aos 206.911 pontos, após atingir o recorde intradiário de 209.605,70 pontos.
Do ponto de vista técnico, o pregão mudou rapidamente o mapa do papel. Antes da abertura, o gráfico apontava resistências em R$ 45,27 e R$ 47,04, além do recorde anterior de R$ 48,81 — todas superadas nas primeiras horas. Com o rompimento, a ação entrou em uma região sem resistências históricas anteriores imediatamente identificáveis no gráfico analisado, o que faz novas projeções dependerem da evolução do preço. O fechamento em R$ 49,48 manteve o papel acima da antiga máxima, e R$ 48,81 passa a ser a referência mais próxima para avaliar a sustentação do rompimento. Antes do pregão, o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos estava em 74,59 pontos, já em região de sobrecompra.
A explicação vai além do gráfico. Os grandes bancos estão entre os ativos que mais respondem à forte queda dos juros futuros, que reduz a taxa usada para descontar resultados futuros e pode favorecer a demanda por crédito e aliviar pressões sobre a inadimplência. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirma que os bancos são favorecidos tanto pela queda dos juros futuros quanto pela perspectiva de inadimplência menos pressionada. Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, relaciona a alta à revisão das expectativas para o cenário fiscal. Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destaca que os grandes bancos têm escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos.
Um relatório recente do Bradesco BBI acrescenta uma nuance: o banco elevou de 50% para 60% a participação de estratégias ofensivas em sua carteira de ações brasileiras, ampliando posições em BBAS3, Petrobras e XP, mas reduziu a exposição a ITUB4 para financiar a mudança. Segundo o material, a decisão reflete preferência relativa por empresas com maior sensibilidade à queda dos juros, e não necessariamente uma visão negativa para o Itaú. O BBI projeta a Selic em 11% no fim de 2027, cerca de 2,5 pontos percentuais abaixo do nível implícito na curva quando o relatório foi elaborado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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