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Juros, crédito e jornada: a agenda da construção civil para o próximo governo

Atualizado em 10/10/2026 às 08:05 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A construção civil acompanha com atenção as propostas dos candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial. O setor, responsável por cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), depende fortemente de financiamento de longo prazo para empresas e consumidores e, por isso, é sensível ao comportamento dos juros.

Mesmo em um ambiente de juros elevados, a projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) é de crescimento de 1,2% em 2026, após avanço de 0,5% em 2025. O desempenho deste ano tem sido impulsionado pelas obras de infraestrutura e por programas como o Minha Casa, Minha Vida. No segundo trimestre, as vendas avançaram 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da expansão, o setor enfrenta desafios como juros altos, endividamento das famílias e aumento dos custos de materiais e mão de obra. Nos 12 meses encerrados em julho, os custos da construção avançaram 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44% no mesmo período. O fio de cobre foi o item que mais encareceu, com alta de 21,35%.

Eduardo Aroeira, presidente da CBIC, afirma que os desafios estão concentrados principalmente nos segmentos de média e alta renda, mais dependentes do crédito imobiliário privado. Segundo ele, o setor vê como prioridade para o próximo governo a busca pelo equilíbrio fiscal, condição considerada necessária para a redução dos juros, além do avanço de reformas estruturais, como a administrativa. Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, destaca a necessidade de uma agenda voltada à redução de custos, ao aumento da produtividade e à ampliação de investimentos. Entre as prioridades estão a redução da burocracia para aprovação de projetos, a criação de um Código de Obras Nacional de referência e a ampliação do acesso ao financiamento.

Um dos principais temas em discussão é a eventual redução da jornada 6×1. Nos cálculos da CBIC, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas significaria 208 horas a menos trabalhadas por profissional ao longo de um ano, o que exigiria a contratação de mais de 288 mil trabalhadores. Segundo Aroeira, uma redução sem ganhos de produtividade poderia elevar em até 15% o custo da mão de obra e gerar impacto de pelo menos 6% no custo total das obras. O setor também defende ajustes na legislação sobre terceirização e revisão das multas em demissões sem justa causa.

Na área de financiamento, a CBIC encaminhou ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central propostas para ampliar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos da poupança para o financiamento residencial. Segundo a entidade, a mudança poderia liberar cerca de R$ 75 bilhões adicionais para o financiamento habitacional. A construção civil emprega mais de 3 milhões de trabalhadores e registra o maior salário médio de admissão do país, de R$ 2.631,65, ante média nacional de R$ 2.404,34.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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