Luciano Hang expande a rede Havan no Brasil apesar da alta carga tributária
A rede varejista Havan, fundada em Brusque (SC), projeta alcançar 200 lojas em todo o Brasil até o fim de 2026 e um faturamento de R$ 22 bilhões no período. A expansão ocorre em um cenário que a própria empresa classifica como desafiador: a previsão é de que a rede recolha R$ 6 bilhões em impostos, montante que supera o lucro líquido estimado para o ano.
Segundo a empresa, a carga tributária é o maior custo da operação, acima dos gastos com fornecedores e do próprio lucro. Os tributos devem representar cerca de 30% do faturamento total. O empresário Luciano Hang critica o que descreve como assimetria tributária, com menção especial à isenção de impostos para compras internacionais de até US$ 50, que, na avaliação dele, cria uma disputa desigual com o varejo nacional. O material cita ainda que o IVA brasileiro é estimado entre 26,5% e 28%, um dos mais altos do mundo e acima da média de países desenvolvidos da OCDE.
A burocracia estatal é apontada como obstáculo crônico ao crescimento. De acordo com Hang, há casos de unidades que levaram até 22 anos para obter todos os alvarás necessários. Projetos em cidades como Matinhos e Joinville enfrentam impasses com órgãos ambientais e promotores públicos. O exemplo citado como mais marcante é o da cidade de São Paulo, maior mercado consumidor do país, que ainda não possui nenhuma loja da rede. Para o empresário, o problema central não é o investimento financeiro, mas a lentidão dos processos públicos.
A estratégia de crescimento da Havan contrasta com a de concorrentes que enfrentam recuperações judiciais e fecham centenas de unidades. A rede investe R$ 1,2 bilhão para abrir 15 novas megalojas neste ano, com foco na manutenção de margens de lucro acima da média do setor, resultado de um mix diversificado de produtos e do modelo de lojas físicas de grande porte. O plano de expansão mira cidades médias e regionais, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste. Hang descarta abrir lojas no exterior e afirma preferir concentrar esforços para "zerar o mapa" brasileiro, com a meta de atingir 300 unidades.
A trajetória do fundador começou antes da criação da empresa. Filho de operários, Hang vendeu bolachas no recreio da escola e trabalhou em fábricas de tecidos e toalhas antes de fundar a Havan em 1986, em uma sala de 45 metros quadrados em Brusque. A operação inicial era focada em tecidos importados. Em 1995, a rede inaugurou sua primeira filial, em Curitiba, quando adotou a fachada inspirada na Casa Branca. Atualmente, a Havan soma 196 unidades e cerca de 22 mil colaboradores.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação