Lula minimiza influência no STF e relação de aliados com Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º), em entrevista ao Flow Podcast, que não exerce influência sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e que não interfere nas decisões dos ministros. Dos 11 ministros que atualmente integram a Corte, Lula indicou seis: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux, ao longo de seus três mandatos na Presidência.
Lula também minimizou as relações de aliados e de pessoas de seu entorno com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao afirmar que o caso precisa ser investigado. O presidente saiu em defesa de Ricardo Lewandowski e de Guido Mantega ao comentar a relação de ambos com o banco. Questionado sobre os contratos firmados, disse que Lewandowski, ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, tinha o direito de atuar como advogado depois de deixar a Corte, enquanto Mantega prestava consultoria. "O Lewandowski trabalhou no banco, ele era advogado, ele deixou de ser ministro, foi contratado, foi trabalhar. Qual é o problema? O Guido era consultor. Qual é o problema?", afirmou.
Em seguida, o presidente declarou que, como presidente, não pode agir como juiz ou delegado e que o caso alcançou uma dimensão que exige investigação. Segundo Lula, o caso Banco Master pode se transformar em uma das maiores crises do país, e as investigações precisam esclarecer as relações de Vorcaro com políticos, autoridades e outras pessoas que aparecem nos documentos. "Esse Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico, envolvia todo mundo", disse. O presidente também defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário, entre elas a criação de mandatos para ministros do STF e de um conselho formado pela sociedade civil para participar da indicação dos integrantes da Corte.
Ao ser questionado sobre as relações de pessoas próximas a ele com investigados, Lula afirmou que não conhece a lobista Roberta Luchsinger, amiga de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a chamou de "Vorcaro feminino" e de "pilantra". A Polícia Federal investiga Roberta por suspeitas de tráfico de influência, e a apuração encontrou mensagens entre ela e Lulinha sobre negócios e reuniões com integrantes do governo. Em uma das mensagens, Roberta afirmou manter uma "sociedade" com Lulinha e o empresário Fernando Bittar. A investigação também apura uma viagem de Lulinha e familiares que teria sido financiada por Roberta, com orçamento de cerca de R$ 1,8 milhão encontrado no celular da lobista. Lula disse que não pretende proteger o filho e que quer que o inquérito avance e que ele preste depoimento. "Se não fez nada, que brigue; se fez, pagará pelo erro", afirmou.
Durante a entrevista, o presidente também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial, afirmando que ele não teria experiência para ocupar a Presidência. Sem apresentar provas, Lula associou o senador a milicianos e citou relações de Flávio com pessoas ligadas ao caso Master, mencionando uma "relação amorosa" entre o senador e Vorcaro. O presidente disse ainda acreditar que vencerá a eleição no primeiro turno, mas afirmou que respeitará o resultado das urnas. Lula também explicou a decisão de não participar do debate que a TV Globo faria nesta quinta-feira, citando o formato com muitos candidatos, e defendeu um modelo em que os concorrentes sejam divididos conforme o desempenho nas pesquisas.
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Por Redação