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Lula pode ser 'varrido' em breve por onda de direita na América Latina, diz revista americana

Por Redação
Atualizado em 22/10/2026 às 09:20 schedule 4 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma coluna publicada nesta quarta-feira (21/10) na revista americana The New Yorker afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está diante de uma possível derrota capaz de encerrar sua carreira política e de alinhar o Brasil à onda de direita que avançou sobre boa parte da América Latina. O texto é assinado pelo jornalista Ishaan Tharoor e tem como título "A última dança de Lula", em tradução livre.

Segundo a coluna, as chances no segundo turno favorecem Flávio Bolsonaro, descrito como um político da direita radical. Para sustentar essa leitura, o texto cita o resultado "surpreendente" do primeiro turno, em que Flávio ficou à frente de Lula, e o histórico brasileiro de que, desde 1989, todos os candidatos que venceram a primeira etapa da eleição presidencial também ganharam o segundo turno. "Lula espera que milhões de brasileiros descontentes, que não votaram no primeiro turno, ainda compareçam às urnas para votar nele", escreve Tharoor, que menciona ainda as amplas vitórias da direita no Congresso e nos estados. "Mesmo que Lula consiga uma vitória apertada, ele poderá passar seu próximo mandato bastante limitado por uma estrutura federal dominada pela direita."

Com Flávio como favorito, o Brasil estaria "prestes a se tornar o nome mais importante em uma longa lista de países latino-americanos que se voltaram para a direita nos últimos dois anos", uma guinada que, de acordo com o colunista, vai ao encontro da visão ideológica da gestão do presidente americano Donald Trump para o hemisfério.

O texto também recupera o percurso político de Lula. Enumera conquistas dos dois primeiros mandatos, como a redução do desmatamento na Amazônia, a liderança do Brasil em questões climáticas e uma política externa que colocou o país à frente do chamado "Sul Global", além dos "vultuosos gastos sociais" favorecidos pelo ciclo de alta nos preços das commodities, que fizeram "dezenas de milhões de pessoas" saírem da pobreza. Em seguida, aborda a derrocada após o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, que o levou à prisão por 580 dias entre abril de 2018 e novembro de 2019. Mesmo com a nova vitória em 2022 sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula não tem conseguido conquistar brasileiros impactados pelo alto custo de vida, preocupados com segurança e Justiça e pessimistas sobre o futuro do país, segundo a coluna.

O colunista afirma que Brasil e Estados Unidos caminham em paralelo num "estranho labirinto de espelhos", como mostrariam os ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília e a invasão ao Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021. Ele compara Lula a Joe Biden, mas faz uma ressalva: "Ninguém pode acusar Lula, como fizeram com Biden, de não ter a capacidade mental e física necessária para o cargo — suas redes sociais trazem vários vídeos dele praticando exercícios." Ainda assim, vê semelhanças. "Lula e Joe Biden, veteranos bem conhecidos de um status quo mais antigo e de orientação liberal, pareciam ser o tipo certo de político para impedir a reeleição de Bolsonaro e Trump, respectivamente; contudo, não conseguiram derrotar o trumpismo ou o bolsonarismo enquanto movimentos", escreve. "Assim como Biden, Lula constatou, neste pleito, que um número desconcertante de seus compatriotas permaneceu indiferente aos seus apelos para salvar a democracia daqueles que buscam miná-la."

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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