Mães solo celebram fim da escala 6x1: 'Estava vendo a vida dos meus filhos passar'
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado, na quarta-feira, por 75 votos a 1, é recebida com alívio por trabalhadoras que criam os filhos sozinhas e enfrentam jornadas exaustivas sem rede de apoio. A proposta também reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil.
No Rio de Janeiro, a operadora de caixa Luciana de Almeida, de 36 anos, mãe solo de três filhos, descreve uma rotina que começa às 5h e termina perto das 20h. Ela deixa as duas filhas caçulas na escola em Realengo, encara 1h30 de transporte público até o supermercado onde trabalha, em Campo Grande, e só retorna para casa à noite, quando libera o filho mais velho, de 15 anos, do cuidado com as irmãs, de 4 anos e 1 ano e 8 meses. No único dia de folga, ainda faz faxinas para complementar a renda.
"Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", diz Luciana, que trabalha na escala 6x1 no comércio desde os 18 anos. "No dia depois da folga, eu continuo trabalhando cansada." Ela afirma que a mudança permitirá descansar, resolver questões pessoais e acompanhar mais a vida dos filhos. "Estou vendo a vida dos meus filhos passar, não consigo ir em festa de dia das mães, junina, nada", relata.
Em São Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, de 50 anos, também celebra a aprovação. Foram 20 anos trabalhando com apenas uma folga semanal. Há 30 dias, assumiu um novo emprego na escala 5x2, mas guarda as dificuldades que enfrentou ao criar dois filhos sozinha, sem rede de apoio e após ter sido vítima de violência doméstica. "Sinto hoje que perdi a maior parte das coisas que enxergo importante na criação dos filhos. Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da escola", conta. "Me sinto aliviada quando penso em pessoas mais jovens e outras mulheres que vão viver uma situação que não as leve à exaustão física e mental e à exclusão materna."
Segundo o Ministério do Trabalho, no final de 2025 a escala 6x1 era a realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no Brasil, pouco mais de um terço da mão de obra formal. A implementação ocorrerá em duas fases: a primeira começa 60 dias após a promulgação, com o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais; após 14 meses, a carga cai para 40 horas. O texto ainda precisa ser promulgado em sessão solene pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para integrar a Constituição.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação