Menos calorias, mais proteína: cias. de alimentos tentam digerir avanço do GLP-1
O avanço dos medicamentos da classe GLP-1, usados para perda de peso, está redesenhando hábitos de consumo e pressionando a indústria de alimentos a adaptar produtos e estratégias. O caso do enfermeiro Dan Sherry, 58 anos, que mora em Holland, Michigan, ilustra a mudança: após receber prescrição de Ozempic na primavera de 2024, quando pesava 95 kg e tomava remédios para controlar a pressão arterial, ele hoje pesa 72 kg, tem a pressão sob controle e reduziu a cintura em 15 centímetros. Sherry passou a andar de bicicleta diariamente e mudou a forma como come e compra.
Ele sai para comer com menos frequência, bebe menos álcool e costuma consumir apenas metade da refeição quando come fora. No supermercado, coloca mais carne e shakes de proteína no carrinho, enquanto um pacote de chips se tornou um luxo raro. Segundo ele, a conta de supermercado caiu entre 10% e 15%. Cerca de 11% da população adulta americana já recorreu a injeções semanais de medicamentos como Wegovy, Ozempic e Zepbound, e até 14% demonstram interesse, especialmente com a chegada de versões em comprimido.
Como os medicamentos retardam a digestão e reduzem o consumo diário de calorias, médicos costumam orientar o aumento de proteínas, para proteger os músculos, e de fibras, para compensar efeitos gastrointestinais. O resultado é que os consumidores não apenas comem menos, mas comem de forma diferente, deixando pães e massas e buscando carnes e vegetais. Vendas de álcool, chips, sorvetes e refrigerantes já sentem o impacto, enquanto crescem os gastos com fitness.
Analistas do J.P. Morgan preveem que as receitas da indústria de alimentos e bebidas podem cair até US$ 55 bilhões até 2030 com a proliferação dos tratamentos. Em resposta, empresas têm lançado produtos com mais proteína ou fibra: versões proteicas de Doritos, Kraft Mac & Cheese e Pop Tarts, espuma de proteína na Starbucks, snacks com mais fibras da PepsiCo e reforço no marketing de cereais ricos em fibras da WK Kellogg. A Campbell’s lançou uma linha de sopas com 20 gramas de proteína por lata, e a Nestlé criou a linha de refeições congeladas Vital Pursuit, com itens que chegam a 33 gramas de proteína e 17 gramas de fibra.
Restaurantes também se movimentam. O Olive Garden introduziu um menu de porções menores e mais baratas, e a Chipotle lançou opções ricas em proteínas. O McDonald’s, segundo seu CEO, ainda não viu impacto significativo, mas avalia que terá de evoluir o cardápio. Pesquisa da PWC mostra que famílias com ao menos um usuário de medicamentos para perda de peso gastam menos em restaurantes de pizza, frango e hambúrguer, e mais de um terço dos entrevistados pede porções menores. O material disponível não detalha o desfecho do depoimento de Anne Butler, arquiteta de Chattanooga que começou a tomar Wegovy no início de 2025.
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Por Redação