Moraes será relator de novo inquérito contra Flávio Bolsonaro no STF
O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do novo inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. A distribuição do procedimento à Corte ocorreu há pelo menos uma semana.
Com a abertura do novo procedimento, Flávio passa a responder a dois inquéritos no Supremo. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura suspeitas relacionadas a um pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
A nova apuração teve origem em uma investigação da Polícia Federal que tramitava na primeira instância, no Rio Grande do Sul, sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas de pagamentos digitais e o mercado de apostas esportivas. Durante as diligências, os investigadores relataram ter identificado indícios de que Willer Tomaz teria ligação com uma empresa autorizada a operar apostas esportivas no Rio de Janeiro.
A análise de dados extraídos da nuvem do celular do advogado teria revelado contatos com Flávio Bolsonaro, o que levou ao envio do caso ao STF em razão do foro privilegiado do senador. O material reunido pela PF incluiria registros de encontros, festas e reuniões, além de informações sobre possíveis pagamentos de viagens e documentos pessoais encontrados no iCloud do advogado. Também foram identificados supostos vínculos com uma conta bancária em que Flávio aparecia como “usuário master”. A relação foi noticiada pelo UOL na última semana e negada pela defesa do senador.
A investigação também apontaria que uma conta bancária vinculada ao advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Para os investigadores, ainda é necessário aprofundar a análise sobre a origem e a destinação dos valores. Willer Tomaz já havia sido alvo de busca e apreensão em agosto, durante a Operação Sem Desconto, em uma investigação relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA), sem que Flávio fosse investigado naquele procedimento. O senador, que é amigo pessoal do advogado, já se manifestou anteriormente sobre a relação entre os dois e tem negado a prática de quaisquer crimes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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