Multidão ocupa Copacabana em ato pró-Lula um dia após manifestação na Paulista receber críticas por cobertura da Globo
Milhares de pessoas ocuparam as duas faixas da orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, em manifestação em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato reuniu estudantes, trabalhadores, aposentados e famílias, mesmo sem a presença do presidente, e deu continuidade às mobilizações realizadas em diferentes cidades durante o segundo turno.
Segundo a Agência Brasil, participantes de diferentes gerações compareceram para manifestar apoio à reeleição de Lula e defender pautas relacionadas à democracia, à educação e aos direitos sociais. A professora aposentada Clara Davidorch, de 87 anos, foi acompanhada de duas amigas, de 85 e 82 anos, e afirmou que participou em homenagem às mulheres que lutaram pelo direito ao voto e pensando no futuro dos filhos e netos. A estudante Suelen Geovana, de 25 anos, saiu de Campo Grande, na zona oeste do Rio, para participar do ato. Aluna de pós-graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ela contou que ingressou no ensino superior público por meio das cotas e associou sua presença à defesa da educação, da saúde e da igualdade de oportunidades. Já a advogada Carolina Estrela, de 43 anos, levou os dois filhos, de 11 e 8 anos, e destacou a importância de ensinar às crianças o valor da participação política e do respeito às diferenças.
A manifestação no Rio ocorreu um dia depois de a Globo ser alvo de críticas nas redes sociais pela cobertura do ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Usuários questionaram a pouca visibilidade que, segundo eles, a emissora concedeu à concentração e reclamaram da ausência de imagens capazes de mostrar toda a extensão da multidão. Nesta segunda-feira, um novo episódio chamou atenção: em um trecho da cobertura da GloboNews que circula nas redes sociais, uma repórter se refere à manifestação favorável a Lula como um “protesto”. A expressão provocou questionamentos porque o ato tinha como objetivo declarado apoiar a reeleição do presidente.
A emissora possui antecedentes históricos de controvérsias relacionadas à cobertura de manifestações populares. Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, o Jornal Nacional apresentou o comício da Praça da Sé, em São Paulo, no contexto das comemorações do aniversário da cidade. A própria Globo reconhece que Roberto Marinho havia determinado que os primeiros atos pelas eleições diretas recebessem cobertura apenas nos telejornais locais, por receio dos efeitos políticos de sua divulgação nacional. Os acontecimentos de 1984 e 2026 têm contextos diferentes, e não há elementos suficientes para afirmar que exista atualmente uma orientação deliberada para reduzir a visibilidade dos atos.
As manifestações em São Paulo e no Rio ocorrem em um cenário de disputa presidencial apertada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Além de Copacabana, estavam previstas mobilizações nesta segunda-feira em Niterói, na Quinta da Boa Vista, nos Arcos da Lapa e em Nilópolis. A presença de milhares de pessoas nas ruas não permite, por si só, antecipar resultados eleitorais, mas evidencia a capacidade de mobilização de setores da sociedade que decidiram participar ativamente da disputa política.
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Por Redação