Multidão se reúne na Paulista para ato de Lula marcado por debate sobre censura
Uma multidão ocupou a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), durante a Marcha pela Democracia, ato organizado por movimentos sociais, entidades de defesa de direitos civis, torcidas de futebol, grupos de fãs de artistas nacionais e internacionais e movimentos estudantis em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A concentração começou pela manhã, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), e reuniu milhares de pessoas ao longo da avenida, com bandeiras e cartazes de apoio ao presidente. A presença expressiva de jovens foi uma das marcas do evento, realizado a duas semanas da votação decisiva do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Durante o ato, Lula criticou a atuação da Justiça Eleitoral e manifestou preocupação com decisões que, em sua avaliação, prejudicariam a comunicação de sua campanha. O presidente disse desconfiar da imparcialidade de medidas adotadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e criticou a suspensão do canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), no WhatsApp. A ordem havia sido determinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de informações falsas contra o senador. A campanha de Lula classificou a decisão como censura e questionou a proporcionalidade da medida, que atingia integralmente um canal com milhões de seguidores.
A suspensão foi posteriormente revogada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, ainda no domingo. Ao examinar o caso, Cueva considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a interrupção integral do canal e ressaltou que eventuais irregularidades em publicações específicas não autorizam necessariamente a suspensão de toda uma estrutura de comunicação. Com a nova decisão, o canal pôde continuar funcionando, enquanto a controvérsia foi encaminhada para apreciação do plenário do TSE.
A dimensão da manifestação afetou a circulação no transporte público. A estação Trianon-Masp do Metrô, da Linha 2-Verde, teve os acessos temporariamente fechados para controle de fluxo, e a companhia orientou passageiros a procurar as estações Brigadeiro e Consolação. Segundo relatos, houve filas e dificuldades de embarque em pelo menos seis estações, incluindo Trianon-Masp, Consolação, Brigadeiro, Paraíso, Paulista e Higienópolis-Mackenzie. Em nota, o Metrô afirmou que o fechamento ocorreu exclusivamente por razões de segurança, diante de demanda superior à capacidade de atendimento da estação, e informou que ampliou a oferta de trens nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. A concessionária Motiva também adotou controles de acesso na Linha 4-Amarela.
Não havia estimativa independente e consolidada de público que permitisse estabelecer um número exato de participantes. A discussão sobre a atuação do TSE ganhou reforço com levantamento publicado pelo UOL que apontou diferenças nos prazos de análise de ações apresentadas pelas duas campanhas, incluindo um julgamento virtual em que cinco ministros já haviam votado em sentido contrário à posição inicial do relator quando Nunes Marques pediu destaque, transferindo a conclusão para outra modalidade de sessão. Diferenças de prazo, por si só, não demonstram favorecimento deliberado, e a avaliação de eventual tratamento desigual exige considerar os fundamentos e procedimentos de cada processo.
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Por Redação