Multimercados rendem até 17% com eleição e se armam para incerteza da reta final
Boa parte dos fundos multimercados recuperou as perdas acumuladas no ano e alguns chegaram a ganhos de quase 17% na semana seguinte ao primeiro turno da eleição presidencial. Na indústria como um todo, o IHFA, índice de multimercados da Anbima, subiu 2,1% no primeiro pregão após a votação, o melhor dia em mais de seis anos. A expectativa agora é que esses fundos também naveguem bem no segundo turno, parte deles com posições mais protegidas diante da maior incerteza sobre o cenário eleitoral, que deve dominar os mercados até a votação.
Guilherme Zaczac, chefe da área de alternativas líquidas no Brasil do UBS Global Wealth Management, observa estratégias distintas entre os gestores. Vários fundos se machucaram muito em março, com o choque provocado pela guerra no Irã, e não queriam arriscar perder mais com a eleição, por isso esperaram uma relação mais favorável entre risco e retorno para tomar posições mais contundentes. Outros mantiveram posições mais agressivas, o que explica a diferença de ganhos entre as casas, de acordo com o apetite por risco.
O levantamento do InfoMoney com dados da Economatica mostra que a lista dos maiores ganhos é liderada justamente por fundos com maior volatilidade. Entre os destaques do mês está o Ace Capital W Master, da Ace Capital. Mais arriscado da casa, com volatilidade de mais de 16%, o fundo acumulou alta de 16,95% em outubro até o dia 9, com estratégia focada na análise do cenário político. Outro fundo da gestora, o Ace Capital Master, com volatilidade menor, de 8,58%, ganhou 8,89% no mês. Na sequência aparecem o Clave M2 Master, com 15,11%, e o Legacy Capital Alpha Master, com 12,82%.
O CEO da Ace Capital, Ricardo Denadai, afirma que a casa vinha defendendo há quase dois anos que Lula estava mais fraco com base em análises de pesquisas e levantamentos próprios. Com base nessa leitura, o fundo montou posições no mercado de opções apostando que os ativos dariam um salto se Flávio Bolsonaro (PL) superasse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Segundo Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da Ace, a volatilidade das opções para depois do segundo turno estava muito alta e elevava o custo da operação, por isso a gestora usou opções bem curtas, que venciam já no primeiro turno. Mais da metade dos ganhos veio de opções de EWZ, fundo de índice negociado em Nova York com composição semelhante à do Ibovespa, e outros 30% do mercado futuro de juros no Brasil.
Para o segundo turno, Zaczac, do UBS, considera o cenário muito melhor para os multimercados, mesmo com a dificuldade de antecipar o resultado. Ele cita assimetrias positivas no mercado de juro local, oportunidades no exterior ligadas aos juros elevados nos Estados Unidos e ao movimento da inteligência artificial, e avalia que, mesmo com o Ibovespa acima de 200 mil pontos, o mercado não está caro. Em caso de vitória de Lula, os multimercados podem ser uma alternativa mais segura que o investimento direto em renda fixa ou na Bolsa, segundo o especialista, por ser a única classe que pode estar tomada em juros, comprada no dólar e vendida na Bolsa. Parte da reação positiva dos mercados neste mês, diz ele, se deve ao perfil mais pró-mercado do Congresso e dos governadores eleitos no primeiro turno.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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