Mundo vive uma expansão energética, não transição, diz Lucas Di Grassi
O empresário e ex-automobilista Lucas Di Grassi avalia que o mundo não atravessa uma transição energética, mas uma expansão da demanda por energia. "Precisamos mudar o termo transição energética, vivemos uma expansão energética", afirmou. Para ele, todas as fontes de produção de energia têm papel relevante nesse cenário.
"Todo ponto que produz energia é muito importante. Não é uma competição entre biocombustíveis, elétrico, fotovoltaico, nuclear. Como humanidade, vamos precisar de todo combustível", disse Di Grassi, um dos responsáveis pela criação da Fórmula E, campeão da categoria e ex-embaixador do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) na causa do ar limpo.
Durante participação no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), nesta sexta-feira (2), ele defendeu que o etanol e a matriz energética majoritariamente renovável do Brasil oferecem ao país alternativas importantes aos combustíveis fósseis. Segundo o ex-piloto, diferentes alternativas de mobilidade serão mais adequadas conforme a região e o uso. "Acredito que o etanol será superimportante no aumento de produção energética no Brasil", afirmou, acrescentando que é preciso usar mais carros elétricos e carros a etanol, em contraposição às fontes fósseis, que classifica como finitas e mais poluentes.
Di Grassi observou que o ciclo de carbono do etanol é neutro, já que a cana-de-açúcar absorve durante o crescimento o mesmo volume de CO2 emitido na queima do combustível. Isso, porém, não elimina os poluentes liberados pelo escapamento dos motores a combustão, que continuam afetando quem está próximo do veículo. Ele destacou ainda que o Brasil já tem uma matriz elétrica 85% renovável e que, por isso, os carros elétricos não têm emissão de carbono na fonte — cenário diferente do de países cuja geração depende mais de fontes não renováveis. Muitos cálculos que atribuem emissões aos elétricos, lembrou, consideram toda a cadeia, desde a mineração dos elementos usados na fabricação.
Com 25 anos de carreira no automobilismo, Di Grassi acompanhou transformações tecnológicas nas pistas, da combustão aos híbridos, depois aos elétricos e, por fim, à direção autônoma. Segundo ele, o que surge nas competições chega aos carros de rua em um intervalo de 3 a 10 anos, como ocorreu com turbo, freio a disco e espelho retrovisor. Uma de suas empreitadas mais recentes foi nessa área: em 2018, criou uma empresa para desenvolver um carro autônomo mais rápido que qualquer piloto. No primeiro dia, o veículo foi 35% mais lento que os pilotos; quando deixou a empresa, o desempenho já era equivalente ao dos melhores do mundo.
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Por Redação