Não é só excesso de trabalho: o que realmente leva funcionários ao estresse
Em meio a demissões, reestruturações corporativas e à expansão de funções conforme os trabalhadores tentam acompanhar a produtividade impulsionada pela inteligência artificial, a força de trabalho está cada vez mais estressada. Segundo o mais recente relatório State of the Global Workplace, da Gallup, 40% dos trabalhadores disseram ter experimentado “muito estresse” no dia anterior, enquanto 56% afirmaram estar enfrentando dificuldades.
Esse estresse costuma ser atribuído ao aumento da carga de trabalho. Em uma pesquisa de 2025 com mais de 1.100 profissionais de RH e gestão no Reino Unido, o excesso de tarefas foi apontado como a principal causa de afastamentos relacionados ao estresse. Outros estudos reforçam a percepção de que as demandas vêm crescendo: em 2024, quase metade dos trabalhadores no mundo afirmou que sua carga de trabalho aumentou em relação ao ano anterior. Outra pesquisa, divulgada em 2025, mostrou que conversas de trabalho fora do horário comercial cresceram 15% em um ano, enquanto reuniões após as 20h aumentaram 16%.
Uma meta-análise recente revisou 60 anos de estudos, reunindo dados de 515 pesquisas com quase 788 mil funcionários ao redor do mundo, para analisar três grandes fatores de estresse ligados às funções profissionais: a ambiguidade de função (quando o funcionário não sabe o que se espera dele ou como seu desempenho será avaliado), o conflito de função (quando recebe demandas incompatíveis ou prioridades conflitantes) e a sobrecarga de função (quando há mais trabalho do que é possível concluir de forma razoável).
O estudo concluiu que os três fatores produzem efeitos diferentes e exigem soluções distintas. A ambiguidade de função surgiu como o elemento mais nocivo em indicadores como satisfação no trabalho, engajamento, comprometimento, percepção de justiça e desempenho. O conflito de função apareceu como o principal fator associado ao burnout, ao sofrimento psicológico, a comportamentos contraproducentes e ao desejo de pedir demissão. Já a sobrecarga mostrou a ligação mais forte com sintomas físicos e emocionais, como irritação, ansiedade e dores de cabeça.
Como ponto de partida, os pesquisadores recomendam que gestores façam três perguntas simples aos funcionários: se sabem exatamente o que é esperado deles; se estão recebendo demandas incompatíveis de diferentes pessoas ou áreas; e se têm tempo e recursos suficientes para cumprir suas responsabilidades. O objetivo não é apenas descobrir se as pessoas estão estressadas, mas identificar a origem do estresse para agir de forma mais precisa. Para os autores, organizações mais bem-sucedidas serão aquelas que tratarem clareza de funções, alinhamento de prioridades e gestão da carga de trabalho não como questões de RH, mas como responsabilidades centrais da liderança.
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Por Redação