Netinho marcou o axé com hits como 'Milla' e 'Beijo na boca' e enfrentou problemas de saúde nos últimos anos
Netinho, um dos principais nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano.
O cantor anunciou o diagnóstico em 22 de março de 2025, após ser internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, com fortes dores nas pernas. Na ocasião, foi diagnosticado com Linfoma Não Hodgkin Tipo B Agressivo. Em um exame, descobriu que o linfoma media 18 centímetros, sendo submetido a tratamento de quimioterapia. Em setembro de 2026, voltou a ser internado após o retorno do câncer. Meses antes, havia revelado ter recebido alta do tratamento.
Conhecido como Netinho, Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Aos 9 anos, perdeu o pai em um acidente de carro. No ano seguinte, mudou-se com a família para Salvador, onde teve seu encontro com a música. Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão e aprendeu a tocar sozinho. Dois anos depois, ingressou na faculdade de Engenharia Civil e intercalou os estudos com as primeiras apresentações em colégios, teatros e barzinhos, com repertório focado em Bossa Nova e MPB.
Aos 20 anos, descobriu sua paixão pelo carnaval e pelo axé ao curtir o Bloco Beijo como folião. Em 1987, ao saber que Luiz Caldas deixaria o bloco, inscreveu-se para o teste e foi aprovado. Fez sua estreia no circuito oficial do Carnaval de Salvador em 1988, ano em que a música "Beijo na boca", interpretada por ele, virou hit nacional. Em 1990, levou o trio da Banda Beijo à Copa do Mundo na Itália. Ao longo da carreira com a banda, emplacou sucessos como "Salvador pra você", "Gosto de mar" e "Vem me dar um beijo".
Em 1992, assumiu a carreira solo, fase em que lançou hits como "Capricho dos Deuses", "Total" e "Menina". Foi "Mila", lançada em 1996, que o levou a bater recordes de execução e a ser regravada em diversos idiomas. Em 1998, anunciou o retorno da Banda Beijo com a cantora Gilmelândia no comando, seguindo dedicado à carreira solo, com shows pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Em 2002, fez uma pausa nos trabalhos, retomando os projetos em 2006 com a gravação do primeiro DVD, "Netinho por Inteiro", na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. Nos últimos anos, dedicou-se a lançar músicas sobre fé e esperança.
Em 2013, o cantor sofreu três AVCs e passou por três cirurgias no cérebro. Netinho havia sido diagnosticado com adenomas hepáticos benignos em função do uso de anabolizantes. Na época, perdeu os movimentos do corpo, a voz e a memória recente. Sem condições de retornar ao trabalho após a alta, afastou-se das atividades artísticas por cinco anos, fazendo apresentações e gravações pontuais. Meses depois da série de AVCs, teve uma depressão profunda e precisou ser internado novamente após duas tentativas de suicídio. Sobre esse período, escreveu, em 2018, a música "Tempo de Cuidar", que não chegou a gravar em nenhum disco.
Esta matéria foi publicada primeiro em Cultura · G1 Pop & Arte e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação