'No Brasil, rico fica mais rico dormindo, e pobre trabalha para pagar juros', diz fundador da Petz
O empresário Sergio Zimerman, de 60 anos, fundador da Petz e atual presidente do conselho da Petz Cobasi, afirma que não votará no segundo turno das eleições de 2026, marcado para o próximo dia 25. Em entrevista à BBC News Brasil, ele diz que estará viajando a passeio aos Estados Unidos após concluir a fusão do seu grupo com a rival Cobasi — operação anunciada há dois anos e aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em dezembro.
Zimerman não revela em quem votou no primeiro turno, mas afirma que torcerá para que qualquer um dos eleitos seja bem-sucedido a partir do ano que vem. "Seja qual for o resultado, um deles será o piloto e eu não quero que o avião caia. A gente pode divergir até o dia da eleição, depois é trabalhar junto", declara.
O empresário critica o que considera decisões tomadas às pressas no calor da eleição, citando como exemplo a aprovação da PEC 221/2019, promulgada na sexta-feira (16), que extingue a escala 6x1. Segundo ele, o aumento de custos para as empresas será repassado ao consumidor e a população perderá poder de compra. Na avaliação dele, a mudança da escala 6x1 para a 5x2 é "até manobrável", mas a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais encarece a mão de obra e provoca, na prática, "um empobrecimento da população".
Zimerman também critica a reforma tributária aprovada pelo Senado em 2023 por não ter eliminado os impostos sobre o consumo, que, segundo ele, oneram sobretudo os mais pobres. Defende a redução da tributação do consumo e a ampliação da taxação dos mais ricos por outras vias. "Hoje no Brasil um rico fica mais rico sem precisar fazer nada, enquanto o pobre fica mais pobre trabalhando para o sistema financeiro. Isso é horrível", afirma, acrescentando que defender uma sociedade mais justa e uma classe média mais robusta deveria ser a bandeira de qualquer empresário consciente.
Na entrevista, o empresário elogia políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o programa Pé de Meia, que funciona como poupança para estudantes de baixa renda e, na visão dele, é "transformacional para a sociedade". Ao mesmo tempo, concorda com propostas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), como a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes graves e hediondos. "Se o jovem é inimputável até os 18, acaba virando vítima do crime organizado", diz. Zimerman também critica o posicionamento do Brasil no conflito entre Israel e o Hamas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação