O complexo mundo novo da tecnologia
A reflexão sobre a comunicação social e a missão evangelizadora da Igreja ganha atualidade diante das transformações tecnológicas do tempo presente. Muito antes da revolução das redes sociais, da comunicação digital e da inteligência artificial, São João Paulo II já percebia que os meios de comunicação não eram apenas instrumentos para transmitir uma mensagem, mas espaços capazes de moldar a cultura, as relações humanas, a formação da consciência e os próprios comportamentos.
Na Carta apostólica O rápido desenvolvimento, publicada em 2005, o Pontífice polonês retomou o caminho aberto pelo Concílio Vaticano II e insistiu que a Igreja não poderia permanecer à margem dessa nova realidade: era preciso entrar no "areópago da comunicação", compreender suas linguagens e integrar o Evangelho na nova cultura criada e amplificada pelas tecnologias. O documento é assinado em 24 de janeiro, memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, data em que os Papas divulgam anualmente a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.
No texto, João Paulo II recorda o Decreto Inter Mirifica, promulgado por Paulo VI em 4 de dezembro de 1963, segundo o qual a Igreja acolhe e fomenta os inventos da técnica que dizem respeito ao espírito humano e abriram novos caminhos para comunicar notícias, ideias e ordens. O Pontífice observa que, mais de quarenta anos após aquele documento, era oportuno voltar a refletir sobre os desafios que as comunicações sociais constituem para a Igreja, que "se sentiria culpada diante do seu Senhor se não usasse estes poderosos meios".
Segundo a Carta, a Igreja não está chamada unicamente a usar os mass media para difundir o Evangelho, mas também a integrar a mensagem salvífica na "nova cultura" que os instrumentos de comunicação criam e amplificam. O texto cita o conceito de "aldeia global", cunhado pelo sociólogo canadense Herbert Marshall McLuhan, para explicar como o avanço tecnológico tende a encurtar distâncias e interligar o mundo, estreitando relações econômicas, políticas e sociais.
João Paulo II afirma ainda que os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram, para muitos, o principal instrumento de guia e de inspiração para comportamentos individuais, familiares e sociais. Trata-se, segundo o documento, de um problema complexo, pois essa cultura nasce antes dos conteúdos, do próprio fato de existirem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas. A reflexão é retomada pelo Pe. Gerson Schmidt, jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS).
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação